Trilha de Memórias

Trilha de Memórias Projecto co-financiado pelo Camões, instituto de cooperação e da Língua, IP.

que valoriza o património imaterial de Angola através de rotas culturais baseadas em histórias orais.

📍GAMBOSEm julho de 2025, o Trilhas de Memórias chegou ao Reino dos Gambos um lugar onde a história vive nas pessoas e na...
08/06/2026

📍GAMBOS

Em julho de 2025, o Trilhas de Memórias chegou ao Reino dos Gambos um lugar onde a história vive nas pessoas e nas suas palavras.

No povo Ngâmbue, a mitologia faz parte do dia a dia. Fala-se dos antepassados como presenças vivas, que continuam a orientar e a proteger. Há relatos de forças invisíveis nas matas, de rituais que mantêm o equilíbrio da comunidade e de lideranças guiadas pela sabedoria ancestral.

Durante a nossa passagem, ouvimos histórias que não estão escritas em livros, mas guardadas na memória de quem as vive e as transmite. Agora, estamos a dar um novo passo: essas narrativas estão a ser organizadas e catalogadas, para que não se percam.

📍GAMBOS

In July 2025, Trilhas de Memórias arrived in the Kingdom of Gambos a place where history lives within people and in their words.

Among the Ngâmbue people, mythology is part of everyday life. Ancestors are spoken of as living presences who continue to guide and protect. There are accounts of invisible forces in the forests, of rituals that maintain the community’s balance, and of leadership shaped by ancestral wisdom.

During our time there, we heard stories that are not written in books, but preserved in the memories of those who live them and pass them on. Now, we are taking a new step: these narratives are being organized and catalogued so they will not be lost.

Antes de ser chamada África, o continente era habitado através de múltiplos territórios, povos e cosmologias. Os bakongo...
25/05/2026

Antes de ser chamada África, o continente era habitado através de múltiplos territórios, povos e cosmologias. Os bakongo falavam de Nsi Kongo como mundo e território ancestral; os yorùbá reconheciam em Ilé-Ifẹ̀ um centro cosmológico da criação; O antigo Egito chamava a si mesmo de Kemet ou Ta Mery, “terra negra” e “terra amada”; Os povos amazigh utilizavam Tamazgha para referir-se ao espaço cultural berbere do Norte africano; Os Cronistas árabes falavam em Bilad as-Sudan, “terra dos negros”, sobretudo para regiões sahelianas; e navegadores antigos designavam partes da costa oriental como Azânia.

A ideia de uma “África” única surge sobretudo de um olhar externo e cartográfico que reuniu centenas de povos sob um mesmo nome. Há, porém, um paradoxo potente nisso: aquilo que nasceu como simplif**ação também foi transformado em linguagem de resistência, reencontro e reconstrução histórica.

Falar no Dia de África é lembrar que África é plural, tal como é plural a própria humanidade. Nesse sentido, o projeto Trilhas de Memória nasce como uma entre tantas ações possíveis de valorização das histórias orais, dos territórios afetivos e do património imaterial, reconhecendo que cada memória local carrega também uma dimensão universal da experiência humana.

📍KARAKULO“Nós estamos aqui para aquecer o sol.”É uma frase que o tio do Benin, um dos mais velhos da aldeia de Karakulo ...
22/05/2026

📍KARAKULO

“Nós estamos aqui para aquecer o sol.”

É uma frase que o tio do Benin, um dos mais velhos da aldeia de Karakulo e um dos contadores de histórias mais respeitado da comunidade, aprendeu com o seu avô.

Descendente direto dos Kuises, é uma das pessoas com quem tivemos o privilégio de conversar.

Para além de nos mostrar os locais das pinturas rupestres, tivemos também a oportunidade de ouvir e documentar, em primeira mão, os seus signif**ados dentro das comunidades.

📍KARAKULO

“We are here to warm the sun.”

It is a phrase that Benin’s uncle, one of the elders of the village of Karakulo and one of the community’s most respected storytellers, learned from his grandfather.

A direct descendant of the Kuises, he is one of the people we had the privilege of speaking with.

In addition to showing us the sites of the rock paintings, he also gave us the opportunity to hear and document, firsthand, their meanings within the communities.

📍OnkokwaO que mais marca em Onkokwa são os caminhos até lá.Nas trilhas de Onkokwa, na divisa entre o Namibe e o Cunene, ...
19/05/2026

📍Onkokwa

O que mais marca em Onkokwa são os caminhos até lá.
Nas trilhas de Onkokwa, na divisa entre o Namibe e o Cunene, perto do Parque Nacional do Iona, há uma das rotas que mais f**a na memória. Não só pela paisagem, mas também pelo que se ouve e aprende ao longo do caminho.

Fomos muito bem recebidos pela comunidade local, que nos acolheu com grande hospitalidade e partilhou connosco histórias sobre a sua origem, de onde vieram e como chegaram até aquela região. Tivemos ainda a oportunidade de sentar no Otchoto, um espaço de conversa simples, onde as pessoas se juntam para contar histórias e transmitir conhecimentos de geração em geração.

Foi ali que ouvimos sobre as suas tradições, os acontecimentos que fazem parte da sua identidade e os ensinamentos que ajudam a compreender melhor a vida e a cultura daquele povo.

Onkokwa acaba por ser isso: um lugar onde as trilhas não são só caminhos, mas também formas de conhecer melhor as pessoas, a sua história e as suas raízes.

📍Onkokwa

What stands out most about Onkokwa are the paths that lead there.
Along the trails of Onkokwa, on the border between Namibe and Cunene, near Iona National Park, there is one route that stays in your memory. Not only because of the landscape, but also because of everything you hear and learn along the way.

We were warmly welcomed by the local community, who received us with great hospitality and shared stories about their origins, where they came from, and how they arrived in that region. We also had the opportunity to sit in the Otchoto, a simple gathering space where people come together to tell stories and pass down knowledge from generation to generation.

It was there that we learned about their traditions, the events that shape their identity, and the teachings that help us better understand the life and culture of their people.

In the end, Onkokwa is exactly that: a place where the trails are not just paths, but also a way of getting to know the people, their history, and their roots.

Hoje, dia Internacional dos Museus, começamos pela origem: a palavra “museu” vem do grego mouseion, “templo das musas”. ...
18/05/2026

Hoje, dia Internacional dos Museus, começamos pela origem: a palavra “museu” vem do grego mouseion, “templo das musas”. Na Mitologia Grega, as musas filhas de Zeus e Mnemosine, a memória, eram responsáveis por inspirar a criação, a palavra e o pensamento.

Mas estas musas não pertencem apenas à Grécia Antiga. Atravessam culturas, tempos e territórios. Vivem também nos saberes tradicionais, na oralidade, nos gestos e nos ensinamentos que passam de geração em geração. Estão na forma como uma história é contada, num canto, num conselho ou até num silêncio carregado de signif**ado.

Um museu não é apenas parede, nem apenas silêncio. Um museu é caminho. É travessia. É tudo aquilo que transporta história viva, pulsante e ancestral.

Em Angola, os kotas são os nossos museus vivos. Guardiões da palavra, da experiência e do tempo. São eles que mantêm acesa a memória do quotidiano, transformando lembranças em presença e ensinamentos em continuidade. Tal como as musas inspiram a arte, os mais velhos inspiram a vida. São referência, raiz e direcção.

Não existe presente sem passado. Não existe voz sem eco. É preciso reconhecer que alguém veio antes, abriu caminhos e deixou marcas. Estamos todos apoiados nos ombros de gigantes.

O Trilhas de Memórias propõe-se a ser esse espaço de escuta, onde as histórias são partilhadas, os saberes valorizados e o tempo ganha voz através de quem o viveu.

Porque preservar não é apenas guardar o passado: é reconhecer quem nos trouxe até aqui e garantir que essas histórias continuam vivas.

17/05/2026

📍EGIPTO PRAIA

Egipto Praia integra a Rota nº 1, a Rota Transatlântica, sendo um dos primeiros lugares documentados desta viagem histórica composta por cinco pontos fundamentais.
Este local ocupa um papel central na memória coletiva, representando uma das etapas iniciais de um percurso marcado por experiências de concentração, deslocação e profundas narrativas humanas ligadas ao passado colonial.
A Rota Transatlântica reúne cinco lugares distintos, interligados por histórias orais e vestígios físicos que ajudam a compreender a dimensão histórica deste território e das suas comunidades.
Neste episódio, visitamos o Egipto Praia e damos início a uma leitura mais ampla desta rota, onde revela-se camadas importantes da nossa história.

📍EGIPTO PRAIA

Egypt Beach is part of Route No. 1, the Transatlantic Route, and is one of the first documented sites of this historic journey, which consists of five key locations.
This site holds a central place in the collective memory, representing one of the initial stages of a route marked by experiences of confinement, displacement, and profound human narratives connected to the colonial past.
The Transatlantic Route brings together five distinct locations, linked through oral histories and physical traces that help us understand the historical signif**ance of this territory and its communities.
In this episode, we visit Egypt Beach and begin a broader exploration of this route, where important layers of our history are revealed.

📍Onkokwa O rei de Onkokwa é uma referência importante ali na região. Mas o que mais marca mesmo são os caminhos até lá.N...
04/05/2026

📍Onkokwa

O rei de Onkokwa é uma referência importante ali na região. Mas o que mais marca mesmo são os caminhos até lá.
Nas trilhas de Onkokwa, na divisa entre o Namibe e o Cunene, perto do Parque Nacional do Iona, há uma das rotas que mais f**a na memória. Não só pela paisagem, mas pelo que se ouve e aprende ao longo do caminho.

Por lá, tivemos a oportunidade de sentar no Otchoto, um espaço de conversa simples, onde as pessoas se juntam para contar histórias. Foi ali que ouvimos sobre a origem daquele povo, as suas tradições e os acontecimentos que fazem parte da sua identidade. São histórias passadas de geração em geração, cheias de signif**ado, que ajudam a entender melhor a vida do nosso povo.
Onkokwa acaba por ser isso: um lugar onde as trilhas não são só caminhos, mas também formas de conhecer melhor as pessoas e a sua história.

📍Onkokwa

The king of Onkokwa is an important reference in that region. But what really stands out are the paths leading there.
On the trails of Onkokwa, on the border between Namibe and Cunene, near Iona National Park, there is one route that stays in your memory. Not only because of the landscape, but also because of what you hear and learn along the way.

There, we had the opportunity to sit in the Otchoto, a simple gathering place where people come together to share stories. It was there that we heard about the origins of that community, their traditions, and the events that shape their identity. These are stories passed down from generation to generation, full of meaning, helping us better understand the life of our people.

In the end, Onkokwa is just that: a place where the trails are not only paths, but also ways of getting to know people and their history more deeply.

Endereço

Bairro Lucrécia, Avenida Silva Carvalho
Lubango
000-001

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:30 - 18:30
Terça-feira 09:30 - 18:30
Quarta-feira 09:30 - 18:30
Quinta-feira 09:30 - 18:30
Sexta-feira 09:15 - 14:00

Telefone

+351935670738

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