
07/08/2025
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Este não tem como assunto principal o Imperador do Brasil, D. Pedro II, mas sim o menino Pedro, que ficou órfão
prematuramente, abandonado em um palácio feio e escuro, aos cuidados de pessoas que não eram de sua família e sendo preparado em todos os sentidos para governar um Império de proporções continentais.
Um Império de escravidão, pobreza e corrupção.
Uma criança que antes de seus 15 anos de idade foi coroado o Imperador do Brasil, onde o próprio cetro de sua coroação tinha o dobro de sua estatura.
Um jovem cheio de mágoas, tragédias familiares, incertezas, sonhos e medos.
Um ser humano como qualquer outro, cheio de limitações e inseguranças.
Pedro nasceu em 2 de dezembro de 1825, o parto que trouxe ao mundo o jovem príncipe demorou mais de cinco horas.
Sua mãe d. Leopoldina, a Imperatriz do Brasil, esposa de D. Pedro I, já tinha tentado inúmeras vezes engravidar de um filho homem, o único que vingou antes de Pedro, foi D. Miguel que faleceu pouco tempo depois de seu nascimento.
Toda responsabilidade da continuidade de uma monarquia independente conquistada por seu pai, caiu em cima daquele bebê que não fazia a menor ideia do que passaria ao longo da vida para ser considerado o Defensor Perpétuo do Brasil; um defensor de 14 anos.
Dia 11 de dezembro de 1826, sua mãe d. Leopoldina, filha de Francisco I, Imperador da Áustria, faleceram devido complicações de um parto.
As razões da morte de Leopoldina para muitos aconteceu de forma gradativa ao longo dos anos de casada.
D. Pedro I, mantinha inúmeras amantes e muitas delas, sua esposa tinha o conhecimento.
Porém a grande protagonista dessas traições foi Domitila, a futura Marquesa de Santos, uma mulher ambiciosa e sem muitos pudores para chegar em suas metas.
D. Leopoldina, era uma Habsburgo, uma das famílias mais nobres e prestigiadas da Europa.
Uma mulher criada para ser nobre e ter um comportamento nobre, principalmente em relação ao matrimônio
Seu marido, foi criado no Brasil, tendo centenas de amantes e aventuras se***is sem compromissos;
etiqueta e nobreza real, eram características que o primeiro imperador não possuía.
As centenas de cartas que a imperatriz mandava as suas irmãs na Áustria, contando sobre sua grande tristeza e o verdadeiro inferno que vivia aqui no Brasil.
Em muitas cartas ela escrevia “estou em uma melancolia realmente negra”, hoje em dia conhecida como Depressão.
A mulher educada em meio a toda grande nobreza europeia para ser uma esposa perfeita, sofria humilhações de seu marido.
A principal amante Domitila de Castro, por ordens do próprio D. Pedro I, convivia no mesmo palácio, se tornou a dama de companhia da própria esposa.
Leopoldina era humilhada pelo marido na frente de sua amante
Domitila engravidou e Pedro I fez questão de reconhecer a filha bastarda e agraciar a criança com um grande título de nobreza, Duquesa de Goiás.
d. Leopoldina sofreu com uma grande Depressão por anos, devido a tantas humilhações e desprezo do marido.
Muitos acreditam que sua morte em um parto foi apenas o estopim de uma morte emocional gradativa.
Logo após o falecimento da Imperatriz, obviamente a grande amante Domitila de Castro não se tornaria esposa de Pedro I;
então houve a necessidade de se encontrar uma nova Imperatriz, alguma jovem com refinamento, educação e nobreza proporcionais a finada d. Leopoldina.
A fama do Imperador de ser um homem rústico e adúltero, corria por toda nobreza europeia ...
Após 2 anos do falecimento da imperatriz, o famoso caso com a Marquesa de Santos, que era odiada pelos brasileiros e culpada por muitos pela morte prematura de Leopoldina, chegou ao fim, pelo menos teoricamente.
Com isso ficou mais fácil encontrar uma moça nobre europeia para se casar com o monarca.
D. Amélia, filha do vice-rei da Itália, e parente próxima de Napoleão, aceitou a proposta de casamento.
Ao contrário de D. Leopoldina que lhe faltavam atrativos físicos na visão de Pedro I (mesmo muitos brasileiros e estrangeiros que a descreviam como uma mulher bela).
Porém a nova Imperatriz D. Amélia chamou mais a atenção do imperador.
Era uma jovem linda, com a pele branca, olhos muito azuis penetrantes e lindos cabelos negros.
O Imperador se encantou com tanta beleza e aparentemente foi um homem mais apaixonado.
A pequena criança Pedro d’Alcântara, tinha ganho uma nova mãe, uma mulher carinhosa e afetuosa, que realmente tinha muita cumplicidade com o pequeno príncipe.
Porém esta cumplicidade maternal, iria se romper em breve, com abdicação de seu pai em 1831 e a despedida de um convívio familiar.
Em pouco tempo, Pedro, se tornaria o órfão da nação, um pequeno menino largado à mercê do destino e trancafiado por longos anos em um palácio no meio do nada, escuro e sufocante.
Tendo que aprender toda a teoria para um dia se tornar o segundo imperador do Brasil, de acordo a ambição e as conveniências de estranhos.
Em poucos anos, seu pai Pedro I, morrera em Portugal.
E sua família se restringiu a suas jovens irmãs e D. Amélia que mantinha uma frequente correspondência com o enteado.
Pedro, morava no palácio de São Cristóvão, na quinta da Boa vista, um lugar distante do centro da corte, em meio a uma paisagem quase selvagem.
Um palácio mal cuidado, escuro, sem enfeites e sem cores.
Um lugar sombrio para uma criança, convivendo apenas com suas jovens irmãs, Januária, Paula Mariana e Francisca, um tutor frio e distante; um acompanhante sensível e uma governanta muito afetuosa.
Esta governanta D. Mariana (Condessa de Belmonte) ou chamada carinhosamente pelo infante de “Dadama”, foi a maior fonte de carinho maternal que Pedro teve até sua maioridade.
E seu acompanhante com ares paternal o negro Rafael, funcionário da Quinta Imperial de São Cristóvão e acompanhante oficial em todas as atividades do menino Pedro II.
Rafael não era escravo, como também nenhum funcionário que circundava a intimidade de Pedro II.
Até anos depois, coroado aos 15 anos de idade, acabar com qualquer tipo de escravidão em seus domínios particulares.
Deixando claro que o Imperador do Brasil era abolicionista.
As aulas de diversas matérias e assuntos por 14 horas diárias, eram obrigatórias.
Eram muitas horas diárias de estudos de assuntos complexos e de difícil compreensão, ainda mais para uma criança.
Prazeres eram poucos, restavam pouco tempo para qualquer tipo de diversão infantil.
Devido a essa falta de tempo para ser uma criança, Pedro começou a sentir prazer nos próprios estudos e conseguiu transformar aquele compromisso de ser um intelectual, em um grande prazer que o acompanhou pelo resto de sua vida.
A leitura, o conhecimento, as novidades, os poemas, a botânica, a filosofia, o Brasil ...
Suas grandes paixões que construíram o homem Pedro d’Alcântara
Talvez sua grande fuga para esquecer tantas tragédias e tanta solidão.
Os anos foram se passando, Pedro, se tornou um homem de 1,90 m de altura, cabelos loiros e expressivos olhos azuis claros.
Um homem tipicamente europeu, com uma cultura e conhecimento teórico muito vasto.
Estava na hora de o jovem Imperador, se casar, constituir uma família, ter filhos, garantir a continuação Imperial Brasileira.
Começou a procura por uma noiva, uma tarefa árdua pois se tratava de um jovem monarca de um reino sem tradições, recém-independente e para piorar Pedro II era filho do famoso imperador adúltero e sem boas maneiras.
O enviado para Europa a fim de encontrar e negociar um casamento do novo Imperador, foi Bento da Silva Lisboa.
Silva Lisboa enfrentou muitos constrangimentos e situações embaraçosas, pois nenhum grande nobre queria entregar a mão de suas filhas, a um monarca de um país tropical e sem nenhum prestígio.
Depois de muitas negociações conseguiu o casamento com a irmã do rei Fernando II, das Duas Sicílias, D. Teresa Cristina.
O Matrimônio foi realizado por procuração em 1843, foi ainda necessária uma licença de Roma, pois eram primos.
Uma pintura retratando D. Teresa Cristina foi enviada a Pedro, que saiu correndo para mostrar a suas irmãs e sua querida “Dadama” como sua noiva era tão formosa.
Alguns meses depois, Teresa Cristina, chegara ao Brasil.
Em espera pela nova Imperatriz do Brasil, uma verdadeira recepção com muita festividade foi preparada.
Ao descer do navio, em meio a toda aquela celebração de boas-vindas, Pedro se depara com uma moça muito diferente do retrato enviado a ele.
Uma moça considerada por ele sem grande beleza física e sutilmente manca.
O Ingênuo Pedro, caiu em lágrimas, desesperado que seria obrigado a passar sua vida inteira e ter filhos com uma mulher que não lhe agradava em nada fisicamente.
Em prantos, abraçou sua Dadama e dramatizou exclamando:
“Enganaram-me Dadama!”.
Ao longo do tempo, Pedro, foi consolidando o status de governante do Brasil, em meio à inúmeras ocupações, problemas, Revoluções Liberais, Guerras, decisões ...
O Império Brasileiro parecia crescer e realmente estava crescendo e se consolidando em uma economia mais forte e estável.
Pedro estava cumprindo a tarefa que o foi destinado, ser um “Imperador Modelo”. Ponderado, Racional e Fiel a Constituição.
Mesmo não apaixonado por sua esposa; como marido e imperador, seu papel foi cumprido.
Dia 15 de novembro de 1846, nasceu a primeira filha do casal imperial, Isabel Cristina.
De alguma forma sua obrigação foi feita.
Ter uma herdeira de seu trono.
Logo após em 1847, nascera mais uma menina, a princesa Leopoldina, as duas irmãs eram bastante companheiras e amigas uma da outra durante toda a juventude.
Ao longo do tempo ele começou a admirar Dona Teresa Cristina, uma companheira fiel e carinhosa, uma dona de casa cheia de predicados, a paixão pela música, seu talento ao piano e no canto, uma mãe zelosa e muito dedicada.
A Imperatriz foi ganhando a admiração e a cumplicidade de Pedro.
De alguma forma a rotina parecia mais calma, mas previsível.
Pedro poderia pensar em outros assuntos, em amor por exemplo.
Em sentir amor por alguém, se apaixonar, desejar alguém.
Mas o que lhe esperava era um sentimento que ele nunca tinha imaginado.
Uma amiga, uma amante, um amor que ultrapassaria barreiras físicas e cronológicas.
Considerada por ele mesmo sua alma gêmea, sua fonte de energia e interesse.
Uma nova mulher surgia; desta vez para sempre.
Uma nobre, filha de visconde, seu nome era Luísa, a Condessa de Barral.
Foi convidada para ser preceptora das filhas, do Imperador.
Em meio a todo uma convivência, Pedro e Luísa se tornaram grandes amigos.
O Imperador admirava muito mulheres como ela. Cultas, informadas e inteligentes.
Os laços foram cada vez ficando mais intensos, um sentimento e uma identificação mútua cresciam.
Uma mistura de amizade, admiração e desejo.
A Condessa também se tornou dama de companhia da Imperatriz Teresa Cristina, porém Dona Teresa não era muito próxima de Luísa, sabia que tinha algo “errado” uma proximidade incomum com Pedro, que ainda não era um caso amoroso ou sexual, mas uma amizade e identificação mútua em interesses e gostos muito intensa.
A amizade cada vez mais íntima com seu marido, o amor que suas próprias filhas cultivavam cada vez mais por sua preceptora.
Ver aquela mulher causadora de tantas preocupações, cuidando e convivendo com suas 2 filhas; e com seu marido, provavelmente era um sentimento insuportável para Dona Teresa Cristina.
O Palácio Imperial de Petrópolis, a mansão de veraneio, estava pronto e toda a família, inclusive a Condessa viajavam frequentemente para agradável cidade.
Petrópolis se tornou a segunda maior paixão de Pedro.
Estar naquele lindo lugar e ainda ao lado de sua amada Condessa.
Foram momentos inesquecíveis para ambos e relatados em suas cartas, cartas essas, que foram escritas por toda a vida, sempre cheias de amor, amizade e cumplicidade.
Os encontros no Corcovado, trocavam juras de amor, “como testemunha, a paisagem exuberante e ao som do vento batendo nas frondosas árvores “trecho do diário de Pedro II.
A vida parecia ter chegado para Pedro.
Um menino órfão, em meio sempre de muita pressão psicológica.
Forçado a ser algo que ele nunca quis ser forçado a ter uma vida que ele nunca gostaria de ter.
Casar com uma mulher que nunca se casaria.
Sempre vestir um personagem.
O personagem Imperador D. Pedro II do Brasil, um homem austero, ponderado, sério, justo e magnânimo.
Finalmente podia em alguns momentos deixar saltar a vida de Pedro d’Alcântara, o menino, o homem, inseguro, emocional, sentimental, romântico, sensível, sofrido, humano.
A Partir desse momento, D. Pedro II do Brasil e Pedro d’Alcântara, poderiam viver em uma só pessoa, poderiam existir em momentos diferentes, em situações diferentes, mas poderiam aparecer.
Era uma grande vitória para Pedro.
Mas como todo humano, vestir um personagem integralmente é um fardo insuportável, porém saber exatamente quando vesti-lo e quando poder se desarmar, é uma tarefa que foge ao controle ao longo do tempo de qualquer pessoa.
Inúmeras ações e posturas iriam ser contraditórias e não se definir ao longo de toda vida de Pedro.
A confusão de saber quem realmente é, o deixava muitas vezes extremamente impulsivo e emocional.
Certos rumos do próprio futuro do Império, foram escritos em meio a essa grande dúvida.
Ser ou não ser ...
A grande ansiedade e a importância que o próprio Pedro sentia no como deveria agir, o que pensariam, o deixava mais atormentado e cada vez menos racional e prático
O tempo foi se passando e o monarca cada vez mais se fechava em seu próprio mundo, em meio a seus gostos particulares; cada vez mais largava a postura majestática e lutava para se afirmar como uma pessoa mais real e comum.
Um Imperador, vestido com roupas simples, esbranquiçadas e gastas
Um monarca de um Império que sentava em uma calçada e conversava com o leiteiro que entregava as garrafas de leite nas portas das simples residências
Aparentar estar descontente com o fardo de sua coroa, era uma obrigação
Não era uma dupla personalidade, mas sim uma única personalidade que tinha que ser dividir em duas
Cortá-la ao meio, deixá-la sangrando muitas vezes, conflitar com valores e sentimentos que estavam claros em sua mente e coração, mas que não poderiam ser evidentes para os outros.
Um menino que aprendeu a nunca dizer não para seus deveres com o Brasil, a nunca deixar de cumprir com a Constituição e o fardo que seu pai lhe deixou como herança.
Uma herança que Pedro não enxergava como deixar de ser herdada, não existia a possibilidade de recusá-la, desde que nasceu esta responsabilidade não era uma escolha, mas sim um fato, ele querendo ou não.
Como dizer não a este fardo?
Como renunciar a algo que ele mesmo não tinha ideia se era renunciável?
Como botar em risco um país inteiro, milhões de pessoas por algo que poderia passar de uma imaturidade passageira?
Esta “imaturidade passageira” nunca passou, permaneceu até o último segundo de sua vida.
Provavelmente não era imaturidade, mas sim um sopro de vida querendo ser vivida com plenitude e sinceridade.
Pedro não nascera para governar, para reinar.
Porém ele nasceu para amar, e com o tempo ele passou a Amar profundamente o Brasil.
Um homem extremamente sentimental, mas que não poderia demonstrar tanto sentimento a todos, pois muitos sempre confundiram sentimento com falta de força.
Talvez continuar sendo o Imperador com todas pompas que Pedro tanto odiava, o permitia pelo menos a chance de demonstrar, de exteriorizar este grande sentimento, não deixando de ter a “força” que a maioria das pessoas sempre esperavam de sua parte.
Seu romance com a Condessa Barral, foi tão intenso em seu coração que durou sua vida inteira.
Mesmo com um oceano dividindo os 2 corações, o sentimento, o verdadeiro alívio de pensar em sua amada e em seus momentos juntos, um alívio de saber que por algumas vezes em sua vida
Pedro pôde ser Pedro.
Foram 35 anos trocando cartas com sua amada que foi embora do Brasil quando as princesas já estavam na maioridade voltando para França.
Provavelmente se Pedro d’Alcântara não fosse Imperador do Brasil, se ele não tivesse a responsabilidade de ser alguém que ele nunca quis ser, este amor tão intenso por Luísa poderia ter sido mais brando, mais calmo, talvez passageiro, talvez nem amor se tornaria.
Não era apenas o amor por aquela mulher que os ligava por toda a vida, mas também a possibilidade de Pedro ser ele mesmo, sem avaliações, sem pressões, sem responsabilidades, sem coroa.
Nem que fosse por poucos minutos escrevendo uma carta para a Condessa.
Naqueles poucos instantes ele poderia ser ele mesmo e botar para fora todos os sentimentos, todos os carinhos, todas as emoções, todas as dúvidas, todos os medos, toda humanidade que ele escondia na maior parte do tempo como D. Pedro II.
Ironicamente, o imperador que não queria ser imperador e sim um professor ou um intelectual de vida simples, acabou sendo vencido pelo o enorme amor que nutria e crescia por sua terra, sua pátria, sua terra-mãe, o Brasil.
Pedro acabou se tornando o maior governante da história do Brasil e o monarca mais culto do século XIX.
Quando morreu no exílio, aos 66 anos, em 1891,
seu obituário no jornal The New York Times
afirmou que ele
“foi o mais ilustrado e o maior monarca do século”.
E realmente foi …
FONTE: As Barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos, Lilia Moritz Schwarz Brasil: uma biografia, Heloisa Maria Gurgel Starling Imperador Cidadão, Roderick J. Barman D. Pedro II Ser ou não ser, José Murilo de Carvalho COLEÇÃO D. THEREZA CHRISTINA MARIA, BIBLIOTECA NACIONAL A construção da ordem: a elite política imperial, José Murilo de Carvalho História de Dom Pedro II, 1825-1891, Heitor Lyra História de D Pedro II, Pedro Calmon
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