11/05/2026
A visita técnica para estudantes de Psicologia e profissionais que acontecerá nos dias 15 e 16/05 a Barbacena, sob a curadoria da Flanar Turismo, ganha ainda mais significado quando relacionada ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.
A data simboliza a defesa da dignidade, da liberdade e do cuidado humanizado em saúde mental, além de provocar reflexões profundas sobre a história dos manicômios no Brasil e a necessidade de construir novas formas de acolhimento e convivência social.
A Reforma Psiquiátrica Brasileira foi um marco fundamental nesse processo. Inspirada em experiências internacionais de desinstitucionalização, especialmente na Itália, a reforma passou a questionar o modelo manicomial baseado no isolamento, na exclusão e na perda da autonomia dos pacientes.
Nesse contexto, Barbacena ocupa um lugar simbólico e doloroso na memória nacional. A cidade ficou conhecida pela existência do antigo Hospital Colônia de Barbacena, cenário de graves violações de direitos humanos ao longo do século XX.
Milhares de pessoas foram internadas sem diagnóstico adequado — mulheres, pobres, pessoas consideradas “indesejadas”, alcoólatras, homossexuais, pessoas com deficiência e indivíduos abandonados pelas famílias. Muitas morreram em condições desumanas, transformando o local em um dos maiores símbolos da violência manicomial no Brasil.
A partir da Reforma Psiquiátrica, surgem as Residências Terapêuticas como alternativa humanizada para internos de longa permanência, especialmente aqueles que perderam vínculos familiares ou não possuem possibilidade de retorno ao convívio social tradicional.
Essas residências representam mais do que moradia: são espaços de reconstrução da autonomia, da afetividade, da cidadania e do pertencimento. Em vez do confinamento, propõem convivência comunitária, cuidado contínuo e reinserção social.
Relacionar essa temática a uma visita técnica da Flanar Turismo amplia o papel do turismo como instrumento de educação, memória e sensibilização social.
Mais do que conhecer cidades históricas, a experiência possibilita refletir sobre direitos humanos, políticas públicas, exclusão social e formas mais humanas de cuidado. O turismo cultural e de memória pode contribuir para transformar dor em aprendizado coletivo, promovendo empatia, consciência histórica e valorização da vida.
Assim, a visita técnica próxima ao 18 de maio - Dia da Luta Antimanicomial, torna-se também um convite à reflexão sobre a importância de nunca naturalizar a exclusão e de defender modelos de cuidado baseados no respeito, na liberdade e na dignidade humana.
Flanar Turismo
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