09/10/2026
São Tomé e Príncipe.
Antes de levantar a câmara, houve um momento sem fotografia nenhuma. Só olhar, só estar ali, deixar que ela decidisse se queria ser vista.
Um retrato genuíno não se rouba — pede-se, em silêncio, muito antes do clique. É o corpo que fala primeiro: a postura descontraída de quem não sente ameaça, o tempo que se dá sem pressa, a mão que não se ergue de repente. Isso lê-se, em qualquer língua, em qualquer continente.
A empatia é a única lente que não está no equipamento. É ela que diz a alguém, sem palavras, "não quero nada de ti, só quero ver-te". E é só quando essa confiança existe que a expressão deixa de ser pose — vira verdade. Os olhos param de representar e começam a mostrar.
É por isso que ensino sempre a olhar antes de fotografar: a técnica entende-se em horas, a conexão exige presença, respeito e a humildade de saber que a pessoa à tua frente não te deve nada — nem o rosto, nem a confiança, nem o momento. Quando ela a dá mesmo assim, o retrato deixa de ser sobre quem fotografa. É sobre quem foi visto.
Fotografar é muito mais do que aprender a usar uma câmara.
É aprender a olhar.
📍 São Tomé e Príncipe
📷 Leica Q3 43
43mm · f/2.0 · 1/60s · ISO 160