03/06/2015
France Trip parte 6 – La Tranche-sur-Mer
Tudo foi preparado na véspera da saída, incluindo cargas / descargas de águas nos depósitos, redistribuição do peso pela caravana, níveis de óleo e radiador verif**ados. Ficou apenas o essencial para o pequeno-almoço e os frescos para a manhã do arranque.
Percorremos 450 km fazendo aproximadamente o mesmo percurso de ida, desta vez com o vento a ajudar. Na verdade não estava muito vento, mas ainda que pouco ajuda sempre e sente-se a diferença no consumo de combustível. Apenas para satisfazer a eventual curiosidade do leitor que não conduz com caravana, devo dizer que nunca senti dificuldades de estabilidade a conduzir com vento ou mau tempo. Claro que a atenção é redobrada com más condições atmosféricas mas, não sei se porque me preocupo muito com a distribuição do peso, ou porque as caravanas actualmente têm estabilizadores de acoplamento e são construídas com muita atenção a factores dinâmicos, a verdade é que felizmente não tenho este tipo de más experiências para contar.
Chegamos depois do almoço a Les Conches, uma pequena vila que f**a a cerca de 2 Km do mar, separada por um longo pinhal com diversos acessos à praia. Em algumas zonas desse pinhal, existem parques de campismo e habitações que nos anos 80 foram de luxo – algumas estão actualmente ao abandono.
No limite Sul do pinhal existe a vila de La Tranche-sur-Mer, muito parecida com qualquer vila Portuguesa à beira mar e com forte exploração balnear. Tem uma pequena barra de abrigo a barcos de pesca ao largo da costa e muitas ruas pedonais com restaurantes e lojas que aparentam abrir apenas no verão. É de alguma forma parecida com Albufeira à 20 anos atrás, sem ingleses sedentos de álcool. Existe ainda uma fantástica ciclovia que percorre todo o pinhal até à vila tornando a utilização do carro completamente opcional.
Agendamos com antecedência a estadia no parque Le Clos de Pins, que nesta altura do ano está completamente lotado – entenda-se que por lotado quero dizer com a capacidade máxima atingida, mas sem confusão nos espaçosos alvéolos e casas de banho mistas. A propósito de alvéolos, esta é sempre uma preocupação de quem circula com uma caravana média ou grande. No meu caso, o conjunto caravana + carro mede cerca de 12 metros que em alguns parques são uma dor de cabeça para aparcar. Tinha deixado uma anotação no pedido de reserva, que caso não tivessem um alvéolo fácil de manobrar não queria a reserva, ao que me responderam que não haveria problema. Não foi assim que aconteceu e após alguma discussão e nenhuma alternativa, restou a hipótese de pedir aos novos vizinhos que ajudassem a empurrar a caravana até ao alvéolo – uma boa forma de os f**ar a conhecer.
Os 5 dias foram passados em passeios a pé pelo pinhal, praia (pouca devido à fraca meteorologia) e visita às principais cidades.
Ficaram na memória Les Sables-d’Olonne e La Rochelle, ambas com forte ligação ao mar e muito turísticas.
A primeira f**a a 40 km para norte de Les Conches, tem uns estaleiros industriais, uma marina de pesca e outra de recreio de onde de 4 em 4 anos partem os valentes velejadores da Vendée Globe. Pode-se atravessar o rio em dois pontos distintos numa espécie de cacilheiro ecológico movido a energia solar, percorrer a marginal das geladarias e restaurantes ou simplesmente apreciar a baía cheia de turistas e a regata de pequenos catamarãs.
La Rochelle é muito turística e cheia de glamour. Aqui tudo está ligado aos veleiros e catamarãs, o calçado oficial são os sapatos de vela e o padrão dominante são as ricas azuis. Existem duas marinas, a do porto velho e a de “Minimes”, sendo esta última a maior marina recreativa de França com 5000 lugares em água e mais um quantos em doca seca. Aqui podem-se ver os últimos modelos Bénéteau, Jeanneau, Amel, Catana, Lagoon – alguns tão recentes que ainda não foram entregues aos seus novos donos – mas também muitos iates quase históricos e impressionantemente bem restaurados. Um verdadeiro prazer para quem gosta de barcos e do mar.
Próxima etapa – regresso a casa.