06/09/2026
Há histórias que já conhecemos de cor, e que ganham uma força nova quando é outra voz a contá-las.
Recentemente, foi a vez do New York Times. O jornalista Benjamin Buckland veio até ao Grande Vale do Côa e percorreu-o devagar, ao ritmo que este território pede, ao longo da Grande Rota, da Serra da Malcata até ao encontro do Côa com o Douro.
Pelo caminho, viveu-o como ele deve ser vivido. Ficou nas aldeias e sentou-se às mesas de quem cá vive, entre pão acabado de cozer, mel da terra e a comida farta de quem recebe bem. Caminhou pela Serra da Malcata, procurou os cavalos Sorraia que ajudam a moldar a paisagem, e deixou-se guiar por quem conhece cada recanto deste sítio. Ouviu o silêncio que já quase não existe noutros lados. E, à beira do rio, ao pôr do sol, ficou diante das gravuras rupestres com vinte mil anos, aquele instante em que o passado mais antigo e o futuro mais selvagem deste território se tocam.
O que ele encontrou foi aquilo que trabalhamos todos os dias para proteger, um dos últimos lugares onde a vida, a humana e a selvagem, ainda se encontram sem pressa. Um território que estava a ser esquecido, e que hoje volta a atrair pessoas, natureza e histórias como esta.
É esse o trabalho da Rewilding Portugal e da Rede Côa Selvagem, e é bom vê-lo contado com este cuidado e esta verdade, num dos maiores jornais do mundo.
Obrigado, Benjamin, por teres olhado para o Grande Vale do Côa com esta atenção. Contaste a nossa casa como poucos a saberiam contar.
📷 Benjamin Buckland (), para o The New York Times.
🇬🇧 (translation in the comments)