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Rio Kwanza, Kwanza Norte
06/09/2025

Rio Kwanza, Kwanza Norte

O Dondo é terra quente. Dizem que uma das mais tórridas do país. Aos pés do maior rio de Angola, a cidade é ponto de con...
05/25/2025

O Dondo é terra quente. Dizem que uma das mais tórridas do país. Aos pés do maior rio de Angola, a cidade é ponto de convergência de quem viaja pelas províncias do norte e leste. E ponto de partida perfeito para quem quer viajar pelas águas míticas do nosso Kwanza.
O calor abafado do Baixo Dondo (o Dondo que é cidade) é famoso. Rodeada de montanhas e limitada pelo Kwanza, a pequena cidade refresca os pés quentes nas águas do rio maior e abriga-se nas sombras da vegetação verde e densa de raízes antigas, de séculos.
A visita à terra de uma das mais famosas cervejas angolanas é obrigatória, nem que seja de passagem. No cruzamento do Alto Dondo, antes da descida para a cidade, a viagem divide-se em várias direcções: Ndalatando, Lucala, Cambambe Huambo, Quibala, Uíge, direcções convergentes ou opostas, a mais ou menos quilómetros do Dondo. Para quem vem de Luanda, este ponto é separador de águas fundamental.
A cidade é pequena e colonial. Mais que prédios, monumentos ou grandes estátuas, tem para oferecer-nos muita história e um ambiente natural fantástico. Porto principal do Kwanza, quando o rio era auto-estrada líquida que conectava o interior e o Atlântico, o Dondo chamava-se, no tempo dos antepassados, Mbanza Kabaza. Era o ponto central do Ndongo, reino mítico que abraçava uma vastidão que ia do Dande ao planalto do Bié; de Malanje à Kissama.
Coordenada confluente (já desde então) de povos de várias origens, o antigo Dondo era comercial até à medula e sede de uma importante feira onde se trocavam produtos do interior e do litoral. Sal gema, café, peixe seco, óleo de palma, instrumentos de metal, um pouco de tudo era vendido nesta feira que o português Paulo Dias de Novais encontrou ao subir o Kwanza em busca das míticas minas de prata de Cambambe. Pouco tempo depois, os invasores acrescentaram à feira do Dondo algo vital para a economia colonial de então: os escravos.
Dominada pelos portugueses, a região começou a desenvolver-se segundo os cânones europeus. Em 1771, na vizinha Nova Oeiras (Massangano), criou-se a primeira fundição de ferro em África, o que impulsionou o crescimento do Dondo. Pouco mais de um século depois, em 1870, a pequena localidade é elevada a vila. Os tempos que se seguiram foram de prosperidade, com uma intensa actividade agrícola industrial a marcar o ritmo destas paragens. Em 1941, o comboio chega à vila. Em 1958, o arranque da barragem de Cambambe, a poucos quilómetros, dá-lhe um novo sopro de vida. O título de cidade, ganhou-o a 29 de Maio de 1973, quando o Dondo estava já a ponto de se converter no quarto maior pólo industrial da Angola, título que ostentou até já entrados os anos 80.
Os anos complicados do conflito armado reduziram a actividade antes fervilhante do Dondo a quase nada. Hoje, a cidade é um lugar pacato que vê passar as águas do Kwanza. A 193 quilómetros de Luanda, é perfeito para relaxar. O antigo porto, onde se juntam canoas que o podem levar a dar uma volta pelo rio, é de visita obrigatória. A partir do Dondo pode ir a lugares mais ou menos escondidos nas margens do rio, como Massangano, 20 quilómetros rio acima. Aproveite e dê também um salto à Muxima, ali numa outra curva do rio. E, claro, à barragem de Cambambe.
Entretanto, o Dondo voltou a acolher a mítica Feira, certame que entrara em declínio no início do século XX, quando o Kwanza deixou de ser a via de comunicação fundamental da região. Hoje em dia, a Feira do Dondo, iniciativa do Ministério da Cultura, rende homenagem às antigas tradições. Artesanato, música, culinária (à base de peixes de rio) e outros traços da nossa cultura em memória viva. Ainda não foi anunciada a edição deste ano. Mas tome nota: no ano passado, a Feira decorreu em Setembro. Esteja atento, e aproveite este óptimo pretexto para visitar o Dondo.

Como ir

O Dondo f**a a pouco mais de 190 km de Luanda. Siga pela estrada de Catete. No cruzamento do Alto Dondo, siga as indicações para chegar à cidade.

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