23/08/2023
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O ontem finda-se no agora pelas mãos que se propuseram a simplesmente realizar o correto por compromissos assumidos num ambiente imaterial, comigo mesmo, recheando-me de pensamentos curiosos independente do julgamento alheio.
Por quê? Por quê o óbvio causa tamanha estranheza aos interlocutores como se a limpidez da verdade ainda parecesse turva? Por quê é tão doloroso aceitar a clarividência de fatos recusando-os por suposições baseadas em sussurros angelicais rubros? Por quê a realidade primitiva do óbvio é tão menos sedutora que os cânticos de uma melodia ideal jamais reproduzida em fatos concretos? Penso… ah, como penso! Só posso ladear-me a Clarice Lispector que, impedidos de arrancar vendas de olhos resistentes, aceitar que o óbvio trata-se da verdade mais difícil de enxergar e, infelizmente, respeitando que a monotonia óbvia da verdade é tão irradiante que cega olhos investigadores criando motivações para as próprias decisões e convicções não se importando para sentenças injustas e, por vezes, covardes como réu a alguém que participa do processo como testemunha: os fatos. Sigo sempre buscando a monotonia do óbvio como meio às minhas escolhas, percebendo perdas irreparáveis como mecanismo do amadurecimento individual. Sinto pesar pelo distanciamento alheio ao desnudar da realidade, condoendo-me por aqueles que creem na idealização de sonhos a serem vividos numa selva de muitos sem nome. Mas sigo na firmeza dos propósitos e compromissos que assumi a mim mesmo compreendendo a impossibilidade da dicotomização da Ética na busca da Est.Ética por haver um tempero moral no resultado do que se fala, propaga e executa em detrimento dos fatos e passos da caminhada, rejeitando a rasura da maledicência e malfazer valorando a profundidade do ser como é, bem-dizendo e bem-fazendo nos limites da minha insignificância.esteticaefuncao
Ceramista