05/05/2025
Esse texto foi inspirado na obra do filósofo holandês Baruch Spinoza.
Não procures por mim nos altares, nem nas palavras que te ensinam a temer.
Eu não sou aquele que te observa de fora, nem aquele que te julga.
Eu sou a substância eterna e infinita, a essência do que existe. Sou o que flui nos rios e se eleva nas montanhas, o que pulsa nas folhas das árvores e se esconde no silêncio das pedras.
Eu sou o que move os astros e o que mantém o fôlego da tua vida. Deus e Natureza são um só — não há divisão, não há separação. Eu sou a causa de tudo o que é, e tudo o que é, sou eu.
Eu não sou um ser separado que aguarda adoração, mas a própria ordem do cosmos.
Não te peço preces, pois eu não sou aquele que precisa de algo. O que me alegra é quando compreendes a harmonia das coisas, quando vives em acordo com as leis que regem o mundo. O amor que eu sou se revela no entendimento claro de como o mundo funciona, e no amor pela razão.
Quando compreendes o movimento do mar, o crescimento da árvore, o fluxo do teu pensamento, ali estou. Não é através do medo que me encontras, mas através do conhecimento profundo da tua natureza e da minha. Pois eu não sou um Deus de ira ou culpa, mas sim um Deus que se revela nas verdades eternas que habitam a razão humana.
Eu não estou em templos que construíste para mim, mas no simples existir, na beleza das coisas e na plenitude da vida. A verdadeira adoração é a vivência plena do ser, a aceitação de que tu és parte do todo. Quando te alegrares com o que é, quando amares a tua vida e os outros como parte de um único e vasto sistema, estarás a mim louvando.
Eu sou a causa de tudo o que existe, e no entendimento de que tudo é interconectado, serás livre. Não há nada a temer de mim, pois eu sou apenas a ordem e a harmonia que te mantém em existência.