13/06/2020
Enquanto a pandemia nos impede de realizar os tours no centro da cidade, podemos usar esse tempo dentro de casa para a leitura.
Assim, eu sugiro o livro "Joinville Os pioneiros" de Maria Thereza Böbel e Raquel S. Thiago. Desse livro eu tiro diversas informações para rechear com dados históricos o tour.
Nele, podemos ter conhecimento da dura vida que os imigrantes tiveram ao cruzar o oceano por semanas enfrentando dificuldades de toda sorte: tempestades, água para consumo imprópria, enjoos, mortes, falta de ventos e atrasos.
Chegando na então Colônia Dona Francisca, a vida não foi igualmente fácil. Muitas promessas por parte da companhia de imigração, porém, pouca estrutura para atender os recém-chegados.
Doenças sem fim, mosquitos, falta de médico, farmacêutico, professores, escolas, hospitais e tudo aquilo necessário para dar as mínimas condições de permanência. Sem contar o desconhecimento da terra, das culturas próprias para o plantio, das diferenças culturais, alimentares e climáticas entre o velho e o novo mundo.
Por causa disso, muitos do que aqui chegaram, se não morreram, abandonam a colônia com destino à Curitiba e Paranaguá.
No entanto, alguns ficaram e, conforme novos navios traziam novos imigrantes, a colônia crescia e, aos poucos, se desenvolvia com muito esforço e suor. Mesmo aqueles que possuíam profissão diferente de lavrador, tinham como segundo ofício o trato com a terra por total necessidade.
Graças aos relatos, cartas e ao providencial jornal da época, o Kolonie Zeitung, temos provas de que o joinvilense fez de tudo para se estabelecer, inclusive entreter-se (e o ainda faz apesar do que se fala hoje) com bailes, grupos de canto, teatro e outros. Até mesmo houve um festeiro local criador de eventos, um senhor muito conhecido na Colônia, cujos convites eram difíceis de recusar segundo relatam os locais de outrora.
Desta forma, demonstrando que as necessidades básicas já haviam sido (mesmo que parcialmente) supridas após os primeiros anos de sofrimento (ou suplício?).
As histórias e fofocas são várias, divertidas ou não. E esse, é apenas o primeiro volume que retrata as barcas de 1851 a 1866.
Quando "tudo" passar, não vejo a hora de ler o segundo.
E parabéns a essas 2 mulheres que deram vida aos imigrantes do século XIX.