26/07/2021
GLACIAR PERITO MORENO
Quando embarquei para a região da Patagonia Argentina queria muito entender como uma região seca, árida e de vegetação de estepe, com arbustos baixinhos, poderia abrigar uma das maiores geleiras do planeta (perdendo apenas para o Artico e Antartica). O mais incrível é que, depois de uma horinha de carro desde o centrinho de El Calafate, já damos de cara com o glaciar sem precisar de escalada, sem embarcar em expedição para o Ártico, nem nada disso. É a natureza monumental acessível. Dito isso, tenha em mente: visitar essa geleira é algo emocionante, indescritível e não há fotografia que consiga representar a grandiosidade desse lugar.
A natureza aqui é democrática, então você pode simplesmente olhar e apreciar, navegar em frente ou caminhar em cima dele.
Enquanto estávamos calçando os crampons e recebendo as informações sobre a caminhada, já bem pertinho dele, um estalo me fez levantar o olhar e então um estampido seco, tipo tiro de canhão. Era um bloco de gelo gigantesco se desprendendo e caindo da altura de sessenta metros. Sim, essa é a altura do glaciar e de onde eu estava o via muito de perto e quase de baixo pra cima. Nem vou tentar explicar. Só percebi o azul muito forte e brilhante.
A explicação do guia fez sentido para entender todo aquele gelo em um lugar tão árido. É que o fenômeno tem início a uns 70 quilômetros na direção do fundo da geleira, na chamada zona de acumulação, em que a precipitação da neve é constante. A neve vai sendo compactada pelo próprio peso e depois de anos de compressão ela se transforma em gelo glaciar. Em algum momento desse ciclo, as geleiras transbordam, começam a deslizar e contam ainda com o empurrãozinho de um rio que corre por baixo em um ciclo dinâmico e incessante.
E tem o azul... o gelo é muito azul ! Se quiser saber o porque, me manda um direct e eu conto pra você.