23/03/2026
Projeto Fachadas e Platibandas propõe novas formas de perceber o patrimônio no litoral paranaense
Iniciativa reúne imagens de fachadas históricas de Antonina, Morretes e Guaraqueçaba em uma exposição com recursos de acessibilidade.
LITORAL DO PARANÁ – O projeto “Fachadas e Platibandas Litoral/PR – Outros Olhares para o Patrimônio” propõe novas formas de perceber o patrimônio arquitetônico por meio de uma exposição que integra públicos com e sem deficiência visual. A iniciativa apresenta registros fotográficos de fachadas com platibandas nos municípios de Antonina, Morretes e Guaraqueçaba, cidades que receberão a mostra a partir da segunda semana de abril.
A iniciativa foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura – Governo Federal do Brasil. A produção é assinada por Marcela Bettega, da Capella – Soluções para Cultura e Patrimônio, com assessoria da Vias Abertas – Comunicação, Cultura e Inclusão e apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Arquitetura vernacular e sensorialidade
As fachadas retratadas não são necessariamente de edificações tombadas, mas expressões da arquitetura vernacular e popular. “A ideia central parte do princípio de que cada fachada funciona como um ‘rosto’ das construções, revelando aspectos da cultura material local e da paisagem urbana cotidiana”, explica a produtora Marcela Bettega.
A exposição convida o público a explorar essas edificações por diferentes perspectivas sensoriais, unindo as dimensões visual, tátil e sonora. O projeto aperfeiçoa a experiência realizada anteriormente em Ponta Grossa, que contou com a parceria da APADEVI na orientação técnica para o desenvolvimento de materiais acessíveis.
Design universal: o quadriedro
Para esta edição, a curadoria e a equipe de arquitetura desenvolveram totens em formato de quadriedros, que concentram todos os recursos em uma única estrutura. Cada peça reúne a fotografia da fachada, placas em relevo produzidas em impressão 3D — posicionadas a 45 graus para facilitar a exploração manual —, textos em Braille e audiodescrição acessada por QR Code.
O modelo foi concebido para evitar a separação entre conteúdos destinados a pessoas com e sem deficiência visual. “A ideia foi fazer com que a obra fosse uma coisa só. É uma peça que se resolve sozinha, um sistema interpretativo completo”, reforça Bettega, que é doutoranda em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e atua há mais de vinte anos na preservação do patrimônio cultural.
O consultor e antropólogo Manoel Negraes, especialista em acessibilidade cultural, colaborou na construção dessas soluções. “O direito à arte e ao patrimônio é um direito humano e só pode ser efetivado por meio de recursos de acessibilidade pensados desde o início do processo”, afirma.
Legado e educação
A arquiteta do projeto, Luiza Dittert, destaca o caráter interdisciplinar da iniciativa: “Foram meses de levantamento e análise das fachadas para organizar uma amostra representativa dos três municípios, sempre em diálogo com a equipe de acessibilidade para alinhar as maquetes em 3D às audiodescrições”.
Como contrapartida social, o projeto deixará um legado permanente: serão destinados dois conjuntos expositivos para cada município participante. Um deles será entregue a uma instituição que atenda pessoas com deficiência e o outro ficará sob responsabilidade das prefeituras, por meio das secretarias de Educação ou Cultura.
Na entrega dos materiais, prevista para abril, também serão realizadas monitorias e formações para o uso educativo das exposições.
Serviço
O quê: Exposição “Fachadas e Platibandas Litoral/PR – Outros Olhares para o Patrimônio”
Onde: Antonina, Morretes e Guaraqueçaba (locais a definir pelas prefeituras)
Quando: Entregas e formações na segunda semana de abril de 2026
Quanto: Gratuito
Informações e contato: (41) 99103-5009
Instagram: