04/06/2024
Por que será que a língua portuguesa fugiu da regra latina de chamar os dias da semana com nome dos Deuses ou Planetas?
Tudo começa em 550, quando o panoniano Martinho chega à Galécia, atual Galiza e Norte de Portugal, num barco que transportava peregrinos da Terra Santa. Ele tinha entre 22 e 32 anos.
Pouco é sabido da história passada de Martinho exceto que ele recebeu uma educação grega no Oriente Médio e foi seminarista no deserto egípcio onde foi ordenado monge.
A sua viagem para a Galécia foi motivada pela missionarização desta, na altura infestada por heresia. Como se depreende, ele era um católico fervoroso.
Os heréticos eram os Suevos, tribo germânica que controlava a Galécia desde a queda do Império Romano, adotantes do Priscilianismo (versão do gnosticismo que recusava uma figura humana de Cristo).
Para ganhar a confiança sueva e trazê-los para a fé católica, Martinho empreendeu uma aproximação estratégica.
Primeiro, tornou-se amigo do rei Teodomiro e ganhou a admiração da família real. Depois, construindo as suas relações pessoais, Martinho converteu o rei e a sua corte. Fazendo isto, ganhou a admiração do clero Suevo sendo agora chamado de “Apóstolo dos Suevos”.
A sua reputação ia subindo e subindo, com a atribuição em 569 do bispado de uma freguesia perto da cidade portuguesa de Braga (capital Sueva) chamada de Dume. Em Dume, mandou construir o seu próprio mosteiro, daí o seu nome Martinho de Dume. Mais tarde, foi nomeado Arcebispo de Braga.
Aqui, torna-se o clérigo mais poderoso da Galécia e Questiona:
“Porque ainda se usam nomes pagãos para os dias da semana?"
Para tal mudança, ele usou a palavra 'feira', relacionada com rituais religiosos diários do Cristianismo antigo que depois se relacionou a tudo que é relacionado diretamente com dia como feriado, feiras, férias.
Assim, ele simplesmente nomeou os dias sequencialmente: segunda, terça, quarta, quinta e sexta.
Sábado e domingo não foram alterados pois já eram relacionados com a Igreja, domingo vindo do latim dies dominicus (dia de Deus) e sábado do hebraico Shabat, incorporado na Igreja Católica.
FOTO: Selo comemorativo da canonização de Martinho de Dume, agora São, em 1953, Portugal.