05/01/2026
400 ANOS DE HISTÓRIA
O antigo Convento do Carmo é (mais um) exemplo do quanto a cidade pode ganhar com a recuperação de seus prédios históricos. Trata-se de uma das poucas construções seiscentistas ainda de pé, no Rio. Quem entra aqui, vindo do agito da vizinha Praça 15, logo percebe a mudança de clima. As grossas paredes proporcionam um silêncio que evoca o passado e os muitos usos que o imóvel já teve, desde que começou a ser erguido, no longínquo ano de 1619. O convento teve sua origem numa pequena morada de religiosos carmelitas trazidos ao Brasil pelo governo colonial, com objetivo de ajudar a ocupar e desenvolver a terra. Ele foi sendo ampliado nos séculos seguintes e, juntamente com a anexa Igreja de Nossa Senhora do Carmo, teve importante papel no crescimento da cidade em direção à então chamada várzea, aos pés do Morro do Castelo.
Com a chegada da Corte portuguesa, em março de 1808, a antiga casa dos frades foi requisitada pela Coroa para abrigar parte dos recém-chegados, inclusive D.Maria I, rainha de Portugal e do Brasil. Embora já não governasse o Império lusitano, afastada que fora de suas funções devido a transtornos mentais, a Piedosa dispunha de um grande séquito de serviçais e foi acomodada em um quarto do convento, hoje uma das atrações do prédio. Nessa época, foram erguidos passadiços, mais tarde demolidos, ligando o imóvel à igreja conventual, transformada em capela real, e ao também vizinho Paço, sede do governo. Com o fim da monarquia, o antigo convento teve vários usos e acabou incorporado à Universidade Cândido Mendes como uma espécie de anexo, permanecendo decadente e fechado ao público por décadas. Houve gente doida que, pasmem, até defendeu sua demolição.
Mas, o prédio resistou e ficou assim, todo bacana, depois da restauração promovida pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que em 2022 o transformou em seu Centro Cultural. Aqui, são realizadas exposições de arte e eventos, além de atividades da própria PGE e um roteiro de visitação guiada e gratuita. A tradição dialoga bem com a modernidade, ao longo de seus três andares, salões e amplos corredores. Há muito o que ver, já que o antigo Convento do Carmo ocupa quase um quarteirão inteiro entre as ruas do Carmo, Sete de Setembro e Primeiro de Março. Nele, são originais o rés‐do‐chão e o primeiro sobrado, com vãos em v***a reta. Arcos como os que aparecem na imagem, mantidos aparentes em sua alvenaria, dão ao centro cultural o maior charme. A presença dessa preciosidade, com 400 anos de história, fortalece a vocação do centro do Rio como pólo turístico - aliás, você, amigo carioca, já entrou aqui?