17/08/2026
*Criando Filhos na Disciplina e na Admoestação do Senhor: Um desafio urgente para os pais de hoje*
O rei Davi foi um homem segundo o coração de Deus — guerreiro, poeta, adorador, líder. Mas foi um pai desastroso. A tragédia de seu filho Adonias, narrada em 1 Reis 1, é um retrato perturbador das consequências da omissão paterna. Diz o texto com uma concisão que deveria nos perturbar: "Seu pai nunca o havia contrariado em tempo algum" (1 Reis 1.6 NAA). O resultado foi um jovem que cresceu sem limites, sem a formação necessária para suportar a frustração, e que tentou usurpar o trono com violência. A história terminou com a sua morte. Davi não era um pai cruel; era um pai omisso. E a omissão pode ser tão devastadora quanto a crueldade.
O apóstolo Paulo, ao tratar dos deveres mútuos dentro da família cristã em sua carta aos Efésios, chega ao ponto que mais incomoda os pais contemporâneos: "E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Efésios 6.4 NAA). Essa instrução, breve em palavras e imensuravelmente rica em implicações, aponta para duas direções complementares. Negativamente, o pai não deve provocar a ira dos filhos — isto é, não deve exercer sua autoridade de forma abusiva, irracional ou inconsistente, de modo que os filhos se tornem ressentidos, desanimados e incapazes de seguir a liderança paterna com alegria. Positivamente, o pai deve criar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor — isto é, deve ativamente instruir, corrigir, exortar e formar os filhos segundo os padrões da Palavra de Deus.
Vivemos numa época em que ambas as dimensões dessa instrução são atacadas. De um lado, a cultura contemporânea promove uma parentalidade que eliminou a autoridade: a criança deve descobrir quem é por si mesma, não deve ser contrariada, toda frustração deve ser evitada, e qualquer forma de correção física é imediatamente equiparada a abuso. Teorias pedagógicas modernas, que pretendem saber mais do que a Palavra de Deus, produziram uma geração de jovens incapazes de suportar a frustração, de assumir responsabilidades e de resistir aos apelos da carne. Não nos enganemos — estamos colhendo os frutos amargos dessas teorias. Do outro lado, há pais que reagem a esse excesso com uma rigidez severa, que não corrige para restaurar, mas para dominar; que usa a autoridade não a serviço do filho, mas a serviço do próprio ego ferido ou inseguro. Paulo os adverte com clareza: esse caminho também destrói os filhos.
O equilíbrio que Paulo propõe tem um fundamento que vai além das técnicas parentais: ele está controlado pela ordem de ser cheio do Espírito (Efésios 5.18). Isso significa que criar filhos não é primariamente uma questão de método, mas de espiritualidade. O pai que vive em comunhão com Deus, que é habitado pelo Espírito, que conhece sua própria fraqueza e depende da graça — esse pai terá os recursos de que precisa para exercer a autoridade com amor, para corrigir sem esmagar, para ser consistente sem ser rígido, para admitir os próprios erros sem perder a autoridade. O pai que tenta criar filhos segundo os padrões bíblicos por força de vontade própria, sem o alimento espiritual que vem da Palavra e da oração, está tentando o impossível.
Criar filhos na admoestação do Senhor significa, entre outras coisas, que a formação espiritual das crianças não pode ser terceirizada. Não pode ser delegada exclusivamente à escola dominical, ao professor de catecismo ou ao pastor. A escola dominical é um auxílio precioso; mas o pai cristão que delega à escola dominical o que Deus determinou que ele mesmo fizesse está repetindo o erro de Eli, que repreendeu os filhos com palavras brandas quando eles desonravam a Deus (cf. 1 Samuel 3.13). O pai é o primeiro e o principal instrutor espiritual de seus filhos. É ele quem deve explicar o Evangelho, orar com eles, ler as Escrituras em família, levar ao culto, responder às perguntas sobre Deus, sobre o pecado, sobre a morte, sobre o céu. Quando isso acontece, é plantada na criança uma semente que o mundo pode tentar sufocar, mas que Deus pode fazer crescer até a conversão.
Há um ponto que Paulo trata com cuidado e que merece atenção especial no nosso contexto. Ele fala em "disciplina", que no grego inclui a ideia de correção, de instrução dirigida às falhas. A cultura atual hostiliza qualquer forma de correção da criança, inclusive a física. Mas a Palavra de Deus é clara ao ensinar que a correção — exercida com amor, com proporção e com o objetivo de restaurar — é parte indissociável da boa criação de filhos. Os Provérbios são abundantes nesse ponto (cf. Provérbios 13.24; 22.15; 29.15 NAA). A ausência de correção não é bondade; é abandono. O filho que nunca é corrigido cresce com uma visão distorcida da realidade, acreditando que o mundo se dobrará à sua vontade como os seus pais o fizeram — e quando descobre que não, não tem recursos para lidar com a frustração.
Criar filhos hoje é um ato de contracorrente. Significa nadar contra a maré da cultura permissiva que os cerca na escola, nas redes sociais, nos filmes e nas músicas que consomem. Significa ter conversas difíceis sobre Deus, sobre o pecado, sobre o s**o, sobre o dinheiro, sobre a morte — conversas que o mundo evita e que o pai cristão não pode evitar. Significa dizer não quando necessário, e dizer sim ao que edifica. Significa que o lar cristão será inevitavelmente um lugar de tensão com a cultura ao redor — e que essa tensão, bem conduzida, é formativa. Os filhos que crescem sabendo que a família tem convicções pelas quais está disposta a nadar contra a corrente são filhos que aprendem o que significa ter uma fé que custa algo, uma fé que não se curva diante da pressão cultural. E essa é, talvez, a maior herança que um pai cristão pode deixar aos seus filhos.
💬 Criar filhos exige muito mais do que boas intenções. Em uma cultura que oscila entre a permissividade e a rigidez, muitos pais se perguntam como exercer autoridade com amor e formar o coração dos filhos segundo a Palavra de Deus. Na *comunidade Vivendo as Escrituras*, você tem acesso à aula *"Perguntas e Respostas sobre Criação de Filhos"*, com orientações bíblicas e respostas para questões práticas que ajudam nesse importante desafio da vida cristã.
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