26/04/2026
Por muito tempo, antes e durante a travessia, idealizei um prêmio simbólico pelo objetivo alcançado, um momento solitário de glória e orgulho por algo que para mim foi tão importante e difícil - e que naturalmente para a maioria das pessoas não faz sentido algum. Meu prêmio resumia-se em uma singela garrafinha de água que havia trazido desde Cape Agulhas, a água sagrada do encontro dos oceanos Atlântico e Índico. Essa água iria, solenemente, misturar-se com a água do Mediterrâneo, no mesmo lugar que um dia esteve o lendário Farol de Alexandria.
Com toda p***a e circunstância, tomei minha posição para a foto histórica nas pedras cheias de musgo à beira do mar, escorreguei da forma mais ridícula que se pode imaginar (o egípcio que me ajudava a tirar a foto não sabia o que fazer), saí da água todo molhado, com a garrafinha finalmente cheia da água de três mares e minha perna toda cortada, sangrando bastante. Voltei ao hotel com um pouco de vergonha, bastante dor e a garrafinha na mão.
Assim terminou a minha travessia Agulhas – Alexandria.
PS 1: depois de algum tempo descansando em Montenegro e na Sicília, voltei ao Brasil e depois para Addis Abeba, com a missão de levar a Freelander de volta a Cape Town, onde ela permanece até hoje com a família, apesar dos protestos de minha esposa Elena.
PS 2: alguns anos depois da travessia, Elena achou uma garrafinha de água guardada em um armário do nosso apartamento em São Paulo. Achou que a água estava um pouco turva e jogou a garrafinha no lixo. Felizmente eu guardei uma segunda garrafinha em Cape Town !
📸: .adriano