22/07/2025
viajar, ou turistar, é um dos luxos do capital que tendo a não subestimar. é uma possibilidade que me fascina: sentir os ventos, os cheiros, as águas, as cores que existem nesse planeta. sei que o capital explora territórios e pessoas. sei que os transportes impactam o clima. mas ainda assim, eu desejo sentir.
na vida adulta, aprendi a negociar meu tempo para viajar. organizava feriados, trocava folgas, criava possibilidades. com uma colega, fizemos acordos: ela folgava aos sábados para fazer faculdade, eu viajava. saudável. justo. necessário. mas também atravessado por um sistema injusto: a maldita escala 6x1.
meu jeito de viajar começa pelo orçamento. organizo tudo por categorias: hospedagem, transporte, alimentação, passeios, serviços. depois avalio o custo-benefício de cada item. parece técnico, mas é subjetivo — no meu caso, o tempo é o principal indicador. se tenho mais ou menos dias em um lugar, isso muda tudo. depois, vem o preço. normalmente, tenho tempo, mas não muito dinheiro. e isso guia minhas escolhas.
mas aí vem o incômodo: “viajar é só uma questão de planejamento” — será mesmo? ou essa é uma fala atravessada por branquitude? minha experiência confirma, mas também denuncia: esse planejamento é possível pra quem? e pra quem nunca foi uma opção?
branquitude não é genética. é social. estrutural. não se elimina com boas intenções, e sim com ruptura. e que ruptura é possível sem morte? fico tentando imaginar uma revolução sem sangue, mas até minha imaginação trava.
e se o caminho estiver nas escolhas pequenas? em viajar com consciência? em pagar direto ao guia local, hospedar-se em pousadas da comunidade, comprar no mercadinho do bairro? turismo é, antes de tudo, troca entre pessoas. ou deveria ser.
viajar é privilégio. e reconhecer isso talvez seja o primeiro passo pra turistar com justiça.