29/01/2023
Tô aqui deitada
sob a cobertura de palha, o corpo listrado de sol e sombra . Brinco os olhos nas folhas descabeladas do coqueiro . Nos entremeios o céu azul com nuvens ralas . Música , Bahia traz influência de múltiplos lugares. Cruzei para o outro lado da vida , escrevo no fundo do oceano com o invisível fio do pensamento .
Preparo intenso de muito sol e praia , tarde dormida no vento . Ontem Ravi perguntou de que lugar eu gosto mais e lhe respondi que são os lugares que levo dentro de mim. Trancoso foi ficando , ficando na lua que clareia meus caminhos , em parceria com as estrelas brilhantes . No abandono do corpo acendo a luz da alma feliz . No mastro tem bandeirinhas de peixes que voam estufadas de vento . Subverto a ordem da desordem , aprendi que os lugares moram em mim , um cenário inteiro habita em nuances a minha cabeça . Sou a chorosa cuíca pontuando o requebro dos pés .
Acordamos com Alice Caymi cantando “ Tudo o que for leve “ , sacode vida , acorda os acordes do café com pão quente da padaria que Noelia trouxe . Mordo o pão em bocados pequenos , saboreio a vista do Jardim da Casa Gugalilim, o som da perereca martelo , as árvores com etiquetas contam a história da flora nativa , pé de cacau , pé de pimenta picante daquelas que queimam . A força divina da jaqueira . Macaquinhos gulosos .
E depois o mar , viro areia , lambida de sal e sol . Trancoso é reza .
Felicidade, cartão vitalício , no ritmo do balanço da rede , um copo grande de suco de abacaxi , amigos estouram champanhe comemoramos o novo , viva está a fé que amanhece sem pressa de anoitecer , concerto zen de mais que nada .
E aí vem gente linda que chega de mansinho , com passos cuidadosos e mãos amigas . Presentes vindos pela via do amor . A canga pautada de cores presente de Claudia , a correntinha com a casinha do Quadrado ,presente da Silvina . Sou toda gratidão .
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