Quando eu fui

Quando eu fui Mochila nas costas, câmera na mão e pé na estrada.

Catuné - Pedra Dourada 20kmAcordei 5h50, tomei café e fui conhecer a Gruta da Pedra Santa, onde há tb a estátua de Nossa...
16/04/2017

Catuné - Pedra Dourada 20km
Acordei 5h50, tomei café e fui conhecer a Gruta da Pedra Santa, onde há tb a estátua de Nossa Senhora de Lourdes abençoando os peregrinos. D. Alicinha e seu Hélio se ofereceram para me levar até lá, no caminho foram contando os "causos" da região, foi demais!
Chegando na gruta foi incrível, o silêncio tem uma força que proporciona um sentimento profundo de paz, saí de lá totalmente energizada!
Me despedi com mt agradecimento daquele casal que foi tão gentil comigo. Segui e o sol já estava forte e pela frente eu tinha a subida Lombo de b***o... que subida!!!
Fui no ritmo devagar e deu tudo certo. Chegando no Vale do Silêncio a vista foi sensacional, essa parte do caminho é mt bonita, paisagens lindas, muitas montanhas, árvores e flores... Mas sempre subindo!
Sabia q em algum momento ia aparecer Água Santa, um lugarejo no meio das montanhas, toquei o tradicional sino da igrejinha e fiz um lanche. Faltavam 9 km!
Continuei subindo, ninguém passava, só quem me fazia companhia eram as borboletas e os passarinhos!
Comecei a reparar o chão, e não é que era verdade oq me disseram!!
O caminho não se chama "da luz" a toa, durante o percurso aparecem mts cristais e pedrinhas que refletem a luz do sol, é muito bonito!
Chegando em Pedra Dourada começou a aparecer um movimento, muitas motos e carros, um moço parou e veio me perguntar se tava tudo bem. Fiquei imaginando como a minha cara estava para ele parar assim do nada...hahahahaha!
Eu falei q sim, que estava fazendo o caminho e que vinha de Catuné!
Ele disse: "Tá pertinho boba" ( aqui todo mundo te chama de boba, rs!).
Depois de tanta subida a chegada em Pedra Dourada foi uma super descida, logo na entrada vc dá de cara com uma cachoeira e um bar do lado...perfeição!!!!
Parei por lá uma meia hora e segui para o centro da cidade procurando a Pousada da Dona Ana!
Não foi difícil, fui recebida por um senhor chamado seu Zé que mandou eu sentar e me deu um café ( assim sem me perguntar se eu queria, rs!).
Deixei as coisas no quarto e fui conhecer a cidade, muito bonita e organizada. Fui na outra cachoeira, dei um mergulho, que delíciaaaaaa!
Voltei e seu Zé me perguntou: "fia vc bebe pinga?" Hahhahahahahaa
Respondi, bebo sim senhor!
Ele foi andando para cozinha e veio com a garrafa na mão, "essa aqui é do alambique da cidade, toma ai boba!"
Fui para pracinha e puxei papo com duas senhoras, aparece um carro vendendo produtos mineiros! Não resisti, botei num s**o lingüiça e um torresmo mineiro.... ô trem bom!
Fui na missa, voltando fui olhando os detalhes da cidade, tudo muito simples e organizado...o vovôs pescando, os jovens na pracinha, a sorveteria cheia de criança!
Fui para pousada e seu Zé estava me esperando para jantar!
Gente, era muuuuita comida...não soube lidar, não tive maturidade, meu prato ficou igual de pião...delicioso!!!
Quando acabei meu olho já estava fechando, o Cansaço gritava!
Fui deitar olhando as fotos, quanta coisa aconteceu em 2 dias!
É mt bom viver tudo isso, te dá uma sensação de vida, vc tem q tá ligada por todo momento, olhar para todos os lados e ter o máximo de controle da situação.
Vc depende exclusivamente de vc para conseguir chegar no seu destino e quando chega a sensação e inexplicável!

Bom caminho!

Tombos - Catuné 25 kmPeguei o ônibus das 23:30 do Rio e cheguei em Tombos ás 7horas. Fui direto para o hotel Serpa, pegu...
14/04/2017

Tombos - Catuné 25 km
Peguei o ônibus das 23:30 do Rio e cheguei em Tombos ás 7horas. Fui direto para o hotel Serpa, peguei minha credencial+ blusa+ livro guia+ cajado e fui procurar algum lugar para comer. Comecei a caminhar às 8 horas, o tempo nublado ajudou muito, o caminho era toda no barro, partes secas e molhadas (de afundar o pé). Logo saindo de Tombos uma mulher me chamou do outro lado da rua, perguntando se eu ia fazer o caminho sozinha, eu disse que sim, e ela começou a falar sem parar durante uns 5 minutos sobre tudo do caminho, explicou as construções, os lugares, as histórias das fazendas... Eu fiquei olhando e me perguntando como ela conseguia respirar e falar daquele jeito. Quando ela acabou eu perguntei se era tranquilo fazer o caminho sozinha. Ela disse q sim, q eu só tinha q me preocupar com os cachorros... Hahahha
O caminho foi totalmente solitário, nos últimos kms cruzei com um grupo de 3 ciclistas e só, foram 7hs até Catuné e nenhum outro caminhante passou por mim, vi no máximo 4 moradores locais e o resto só foi boi, vaca e cachorros ( não tive problemas com nenhum deles!!).
Depois de 4hs andando o corpo começou a gritar, o terreno é mt inconstante, vc sobe e desce o tempo todo, tem muito barro, muito mato e em uma parte do caminho o capim passava da minha cabeça. Eu não sabia oq fazer se seguia ou voltava, sai correndo igual uma maluca com o cajado na frente gritando... Eu tinha q ter filmado, mas eu só pensava em sair daquela parte hahaha!
O restante do caminho foi tranquilo, fora as bolhas q eu já sentia no meu pé (aff eu e as bolhas).
Os últimos 3km foram pesados, o sol abriu e eu tive q subir um morro gigante.
Quando cheguei em Catuné, fui ver lugar pra f**ar, aqui não tem hotel, pousada ou hostel, vc f**a na casa das pessoas! Fui na padaria e perguntei indicação de casa para Caminhante, e a moça apontou a casa do lado, fui lá e uma senhora me recebeu, perguntou meu nome e falou q ninguém tinha avisado q eu iria (meu coração gelou), eu disse que estava fazendo sozinha que avisei na hora q peguei a credencial q dormiria em Catuné... Bom, ela já mandou eu entrar e sentar. Foi lá dentro, me deu uma toalha e falou vai tomar banho q eu vou arrumar seu quarto. Eu obedeci com mt gosto!
Quando voltei ela já tinha preparado uma mesa maravilhosa, eu sentei e ela começou a puxar papo, conheci tb o seu esposo, que me contou toda a história da região, o papo tava bom mas minhas pernas pediam socorro e fui deitar um pouco. Depois de algumas horas resolvi levantar andar um pouco pela cidade, só não imaginava q o pouco era pouco mesmo, a cidade só tem uma rua!
Fui carimbar a minha credencial para ir dormir e pensei comigo mesma...Ligia, quando vc imaginou um dia estar em Catuné hahahaha... Coisas da vida

Bom Caminho!

E aí galera! Quanto tempo em?!Venho dividir com vocês o meu mais novo desafio, hoje início o CAMINHO DA LUZ, também conh...
13/04/2017

E aí galera!
Quanto tempo em?!
Venho dividir com vocês o meu mais novo desafio, hoje início o CAMINHO DA LUZ, também conhecido como o “Santiago de Compostela brasileiro”.
O trajeto recebe esse nome de Caminho da Luz porque durante o percurso há fragmentos de mica e de cristais que emergem do solo, proporcionando um brilho especial. Sinalizado em 2001 com o objetivo de resgatar toda a sua autenticidade, o percurso mineiro carrega muita história. Ele era a rota percorrida pelos índios, que há mais de 300 anos peregrinavam por essas terras em direção ao Pico da Bandeira, a Montanha Sagrada do Brasil.
O Caminho da Luz tem início na cidade de Tombos, a 380km de Belo Horizonte, e termina em Alto Caparaó, onde f**a o lado mineiro do Pico da Bandeira.
São cerca de 200km que podem ser percorridos a pé em 8 ou 9 dias. Ou também a cavalo ou de bicicleta, em menos dias. Vale considerar também a grande variação de altitudes: começa em 238m e chega a 2.890m, no alto do Pico da Bandeira, o terceiro mais alto do Brasil. Passando por fazendas centenárias, matas, cachoeiras e santuários.
Como não tenho todos esses dias disponíveis, vou dividir o caminho em partes, nesse primeiro momento meu percurso será:

Tombos - Catuné – 25km
Catuné - Pedra Dourada – 20km
Pedra Dourada - Faria Lemos – 25km
Total: 70km

"Quando eu fui" será novamente uma seleção de momentos durante toda a caminhada, com muita felicidade desejo a todos, mais uma vez, BOM CAMINHO!

Ligia Camilo Ribeiro

32° Último DiaArzuá - Santiago de Compostela 40kmEscuto o despertador do Rafa tocar, meus olhos abrem e vejo as pessoas ...
06/06/2015

32° Último Dia
Arzuá - Santiago de Compostela 40km
Escuto o despertador do Rafa tocar, meus olhos abrem e vejo as pessoas como vultos andando pelo quarto, viro para lado como que no automático e penso, está cedo para levantar!
Cochilo mais alguns minutos e sinto uma mão em meu ombro, Ligia, acorda temos que ir! Era Pinguim me acordando.
Ainda confusa, abro os olhos e vejo a minha mochila no pé da beliche. Eram 4:30 da manhã, e pela última vez eu iria fazer a minha rotina como peregrina, abaixei a cabeça e sorri. Sim, temos que ir...temos que chegar em Santiago de Compostela.
Levantei e fui me arrumar, eramos 7 no quarto, enquanto todos se arrumavam dava pra se ouvir o silêncio, não sei se era nervosismo, ansiedade ou preocupação. Mas todos nós estávamos mais concentrados em si mesmos, afinal o nosso objetivo estava se cumprindo e hoje era o dia tão esperado!
5:30 saímos do albergue e começamos a caminhada, ainda estava muito escuro e muito frio.
Andávamos por Arzuá e não encontrávamos as setas amarelas, então fomos seguindo a rua principal até o final, parávamos, olhávamos em volta e não víamos as setas de jeito nenhum. Estava escuro e só tínhamos a iluminação das lanternas. Era somente duas opções, seguir pela rodovia ou voltar tudo até achar alguma seta. Escolhemos seguir pela rodovia, em algum momento ela ia cruzar com alguma cidade do caminho e poderíamos entrar novamente no rota certa. Até aí tudo bem, só não esperávamos pela grande rotatividade de carros e caminhões as 5h da manhã na estrada. Foi complicado!
Andávamos na meio da escuridão em uma fila, duros e tensos, quando ouvimos uma voz gritando lá longe. Todo mundo parou e olhou para trás, e eu só pensava FUU #*@&!!!!! hahahaha!
No meio do mato vimos uma pessoa com uma luz balançado, e alguém falou, é o Rodrigo! Sim, era o Rodrigo pela graça de Deus todo poderoso, respiramos aliviados, rs!
Ele tinha f**ado no albergue, então nem contávamos em encontrar com ele ali naquela hora. Depois do pequeno susto seguimos. Andamos 3km pela carreteira até encontrarmos uma cidade, já estava amanhecendo, entramos, vimos a seta amarela e comemoramos, estávamos de novo na rota do caminho!
Paramos, tomamos café e continuamos a andar, em questão de horas o calor já estava forte e o ritmo estava mais lento.
A vontade de chegar em Santiago só era maior que a vontade de continuar no caminho. Andávamos devagar, conversando, tirando fotos e curtindo o dia, o último como peregrinos!
Em cada placa víamos os kms indo embora e a vontade de chegar só aumentava. Muitos peregrinos iam chegar em Santiago hoje, e outros iam dividir o caminho e chegar no outro dia, mas em todos eles se podia ver a empolgação, foi um longo caminho e muitos f**aram para trás, alguns desistiram. outros já chegaram em Santiago, mas acho que cada um já guarda um pouco do caminho dentro de si.
Depois dos 25 primeiros km o corpo já dava sinais de muito cansaço e ainda faltavam em torno de 15 km. O ritmo foi caindo e como sempre, não podia faltar no último dia, eu fiquei por último, rs! Meu tornozelo começou a doer mais que o normal, isso quer dizer doer muito mesmo. Eu tive que parar em um bar e f**ar lá um tempo sentada, mas até essa parte estava sendo legal. A dor foi minha fiel companheira no caminho, no começo nossa relação era de ódio, depois comecei a entender que a dor era parte do caminho e se eu quisesse estar aqui eu teria que aceitá-la, afinal sem dor não há caminho.
Continuei a andar e fui conversando com alguns peregrinos, todos caras novas para mim. Conversei por um longo tempo com um Italiano, Marco de 25 anos, e brinquei com ele falando que até que fim achei alguém mais novo que eu! Caminhamos juntos até a próxima cidade, ele também chegaria em Santiago hoje.
Encontrei meus amigos sentado em um bar, o cansaço era quase que palpável, todos já estavam esgotados. Sentei, tirei a bota e fui comer algo, tínhamos ainda 9km pela frente, mas o bom humor e a vontade de chegar falava mais alto, depois de uma pausa, seguimos andando até nossa próxima parada que era o Monte do Gozo, última antes de Santiago.
E como o próprio nome diz, monte signif**a subida. Na verdade o monte não era muito alto, mas subir qualquer coisa depois de andar 30 km é, como posso dizer isso sendo educada? Acho que eu senti dor até no sangue circulando no corpo, DIFÍCIL!
Depois de algumas horas chegamos ao topo do Monte do Gozo, e vimos, pela primeira vez, as torres da Catedral de Santiago, senti meu corpo todo arrepiar, estava tão perto, 5km era distância entre eu e Santiago de Compostela.
Sentamos um pouco e f**amos ali exaustos, ninguém tinha força nem para falar. A gente sabia que seria os 5km mais longos do caminho, já estávamos andando a mais de 9 horas.
Descemos o monte e a sensação era que, embora mortos de cansaço físico a nossa cabeça estava bem, cheia de animo e alegria.
Caminhávamos eu e Adriana em silêncio, já estávamos nos aproximando da cidade e a paisagem urbana tomava o lugar das flores e matas que tanto nos acompanharam neste caminho. Depois de 1h já estávamos entrando na cidade de Santiago, passamos em uma grande ponte e no final Rafa estava nos esperando, nós conseguimos, disse ele sorrindo! Sim, estávamos já na cidade, chegar na catedral agora era questão de 3km, faltava pouco e parecia que a cada passo ganhávamos uma sobrevida.
Andávamos ali como peregrinos, naquelas ruas por onde já passaram centenas de milhares de outros como nós, peregrinando em busca de algo, uma resposta, uma busca? Não sei! Assim como o caminho é de cada um os motivos também são.
Por volta das 5h, o sol ainda era forte entramos no centro histórico de Santiago, o coração batia mais acelerado, de fundo ouvíamos uma gaita de fole, não sabíamos muito bem se estávamos indo pelo caminho certo, pedimos informação para uma senhora, meus filhos a catedral é logo ali, todos os caminhos levam a ela. É, todos os caminhos levam a Santiago, até os errados como o de hoje de manhã.
Andamos em frente, passamos por um túnel, vimos o cantor da gaita de fole e continuamos andando até sairmos de lá e entramos uma grande praça, nosso olhar passeava ao redor e depois de 5 ou 6 passos, lá estávamos nós diante da Catedral de Santiago de Compostela.
A sensação era de vitória, felicidade, alívio, cansaço, era tudo ao mesmo tempo, mas de algum jeito a catedral nos transmitia força.
Encontramos nossos amigos e o momento era de alegria, nos abraçamos, e nos demos parabéns, foi uma vitória conquistada literalmente com mt suor. F**amos ali olhando a praça por alguns minutos, até o coração se tranquilizar e a respiração se acalmar.
Andamos até a Oficina do Peregrino, a fila era grande mas ninguém queria esperar mais para pegar a sua Compostela. A fila ia rápido, e depois de uns 15 minutos eu já era a próxima. Entrei e um homem me pediu as credenciais e o passaporte. Ele me perguntou se eu estava cansada, eu olhei para ele séria, mas abaixei a cabeça e ri. Estou só um pouco, respondi. Ele me perguntou de onde eu tinha iniciado o caminho e a data, e começou a escrever a Compostela. Minha cabeça foi longe, até em SJPP, onde no início da caminhada um outro senhor da associação bateu meu primeiro carimbo na credencial, agora estou aqui em Santiago, retirando a minha Compostela, era uma sensação indescritível. Parabéns Ligia e bom caminho, ele disse me entregando, eu agradeci e fui embora com um sorriso do tamanho do mundo!
Fomos procurar um albergue, Santiago é grande, mas não queríamos f**ar longe da Catedral. Conhecemos o espanhol Oscar que veio do outro lado da Rua perguntando se éramos brasileiras, começamos a conversar, pedimos informação sobre lugar para dormir e ele foi super prestativo, não podia ser diferente pois na sua camisa estava escrito "gentileza gera gentileza".
F**amos no Albergue do Peregrino Monastério Menor, 15 minutos de distância do centro. O lugar é lindo, parece um castelo e se não fosse a rampa enorme que temos q subir até lá seria perfeito.
A caminhada foi muito cansativa, aproximadamente 40km em 12h, estávamos felizes, porém cansados, comemos e fomos dormir, o outro dia era o fechamento do caminho, o último feito ainda como caminhantes, a missa do peregrino.
A missa na Catedral é realizada todos os dias ao meio dia, e é como o ritual de término, onde recebemos a benção final pela peregrinação. Entramos e a igreja já estava lotada, vimos vários amigos do caminho, a sensação foi boa em reencontrar todos.
E lá estava eu ao lado de Adriana, minha amiga, companheira de viagem, parceira nas horas das dores e das alegrias, não consigo imaginar fazendo essa viagem com mais ninguém, talvez ninguém fosse tão louca em embarcar nessa comigo, mas ela foi! E são coisas desse tipo que te fazem acreditar no valor da amizade, do amor, e do ser humano.
Não existem 2 caminhos iguais, eles são únicos, mesmo compartilhado com outra pessoa. Dri fez seu caminho, eu fiz o meu e tenho certeza que cada uma de nós tiramos conclusões diferentes disso tudo, mas sei também que por algum motivo Deus quis que estivéssemos juntas nessa jornada que nos levou muito mais que a Santiago, nos levou a sermos um pouco melhores de quando começamos, um pouco mais fortes e corajosas também. Hoje eu sei que tenho ao meu lado não sou uma companheira de viagem e sim uma irmã que Deus me deu e Santiago abençoou, obrigada por estar comigo nesse momento tão importante Dri.
Durante a missa f**amos todos atentos para cada palavra que o padre dizia. A igreja transmitia uma paz inexplicável, o altar era lindo e os cantos dos padres consolavam como um abraço. A emoção e o respeito de todos era notório. Muitas coisas passaram em minha cabeça, foi quase um viagem por todo o caminho. Os dias foram como vidas, com altos e baixos em questão de minutos. Conheci muita gente, vivi a minha dor e dor das pessoas, fiquei feliz com as minhas conquistas e as conquistas das outras pessoas. Aprendi a dividir e a somar com quem precisava.
Muitos não entenderam pq eu fiz o caminho, fui chamada de louca, alguns não acreditavam, e não me levaram a sério.
Eu não sou mais ou menos especial por ter feito o caminho, minha vida não mudou completamente e eu ainda continuo tendo problemas, a diferença é que eu não deixei o medo, nem a dor, nem o desconhecido me imobilizar, eu tinha um sonho, eu saí da minha zona de conforto, eu fui atrás dele.
Eu aprendi que disciplina anda junto com o sucesso e as vezes para conseguirmos o que queremos é preciso abrir mão de muitas coisas, mas que no final, vai valer a pena.
O caminho só existem para quem caminha, para quem tenta e para quem vence suas amarras e vai, as vezes sem saber direito onde, como ou porquê.
E depois de 32 dias e 800 km caminhando, eu acho que o importante não é chegar e sim sempre continuar.
Tenham todos um bom caminho!
Ligia Camilo

31° DiaPalas del Rei - Arzuá 30kmEntre palas Del Rei e Arzuá tivemos uma parada obrigatória, Melide a terra do pulpo! Em...
02/06/2015

31° Dia
Palas del Rei - Arzuá 30km
Entre palas Del Rei e Arzuá tivemos uma parada obrigatória, Melide a terra do pulpo!
Em nosso planejamento não íamos dormir em Melide mas não podíamos passar por lá sem comer o famoso pulpo Melidiano. Deixamos um albergue reservado na cidade que íamos dormir, e nos permitimos almoçar demoradamente na terra do polvo! Entre tantas opções de pulperias nos foi recomendado a Ezequiel, estávamos em 8 e sentamos todos em uma grande mesa. O polvo chegou comemos, conversamos e nos divertimos. Eu olhava para cada um, todos felizes, rindo, falando e brincado. Estamos no auge da viagem, faltando apenas 2 dias para Santiago. Era impossível esconder a empolgação.
Depois da comilança, continuamos a caminhada, subidas e decidas e longos kms. Andávamos e víamos as placas de km se reduzindo, dava ao msmo tempo, a sensação de Vitória e saudade por estar acabando.
Ouvia o som do cajado batendo no chão, os peregrinos conversando, o caminho era o msmo, mas a será que nós ainda continuamos as mesmas pessoas? Tanta coisa que aconteceu, o caminho nos levou a lugares tão desconhecidos tanto exteriormente e interiormente.
Arzuá é uma grande avenida cheia de comércio, o hostel q reservamos f**a bem no começo da cidade, chegando lá demos de cara com um edifício, tinha tempo q eu não entrava em um elevador! O albergue é super novo, cozinha e quartos Grandes, mas estava bem vazio. Tínhamos achado pelo caminho Joana, uma jovem da Polônia, ela ficou o dia todo e dormiu lá com a gente também. Fomos andar pela cidade e paramos em um bar, conversamos sobre os próximos dias e veio a pergunta, pq não vamos para Santiago direto amanhã? O sorriso foi quase unânime em todos, eram 40km que iríamos dividir em 2 dias de 20km. Pq não fazer direto?
Dá pra fazer!? Sim, dá! Então bora? Ah bora então! Hahahha...
Nesse papo de maluco, meio que sem sentido, decidimos que amanhã chegaríamos a Santiago, um dia antes do planejado!
Saímos do bar, passamos no mercado e fomos para albergue. O plano era dormir cedo e acordar na madrugada para não chegarmos tão tarde em Santiago, eram 40 km por volta de 10 horas caminhado. Fomos dormir ansiosos e animados, o grande dia estava por vir. O dia tão esperado agora era questão de horas.
Arrumando a mochila, me deu um aperto no coração, estava acabando, eu não queria f**ar fazendo o caminho de Santiago para sempre, mas estar perto de terminar a caminhada me dava uma um frio na barriga. Aqui somos obrigados a se lançar no desconhecido, descobrimos novas capacidades, talentos e forças, E também aprendemos a lidar com situações difíceis, dor, viver com vc mesmo e com os outros.
Amanhã era o dia finalizar um Grande ciclo, iríamos chegar em Santiago de Compostela!

29° Dia Sarria - Portomarín 21,5km30° Dia Portomarín-  Palas del Rey 23,8O caminho até Portomarin, foi, como posso dizer...
31/05/2015

29° Dia Sarria - Portomarín 21,5km
30° Dia Portomarín- Palas del Rey 23,8
O caminho até Portomarin, foi, como posso dizer, hummmmm.... fedido!!! Hahahha
A quantidade de estrume pelo chão era assustadora, isso devido a área ser de criação de gado, e as vaquinhas passeiam pelo caminho de Santiago para pastar, que lindo! É muito cocô pelo chão e o cheiro então? Complicado gente!!
Mas tirando essa parte, o caminho teve seus encantos, estamos na área da Galícia, passamos por vários vilarejos com poucos habitantes que dá para ver o começo e fim só virando a cabeça, são lindos, simples e charmosos.
Chegando em Porto a visão é linda, um rio enorme e a cidade mais acima. Há mais de 50 anos a construção de uma barragem Fez com que a cidade f**asse em baixo d'água. Os prédios e monumentos foram transferidos tijolo a tijolo para a área mais alta, onde o povoado permanece até os dias de hoje. Temos q passar por uma ponte enorme e subir uma escadaria longa até chegar na cidade. Para que facilitar para o pobre peregrino Né? Quer conforto? F**asse em casa!
Depois disso tudo chegamos na cidade, f**amos no Municipal, deixamos a mochila e fomos procurar onde comer. Vai chegando 1,2,3 na mesa, chega mais 4, 5 junta mesa, põe mais cadeira, vira aquela confusão é português, espanhol, francês, italiano, inglês... todo mundo se entende! São pessoas que a um mês atrás eu nem imaginava em conhecer, agora acordo e vou dormir todo dia com elas! Mais doido ainda é pensar que daqui a alguns dias eu nunca mais vou ver a maioria dessas pessoas, e elas vão ser somente boas memórias. Mas faz parte, cada um vai seguir o seu caminho, todos nós vamos!
Os albergues municipais da Galícia são bem simples e Sem Wi-Fi, então esse motivo da demora de postar aqui, mas achamos fácil nos bares e restaurantes.
Esse dia, eu estava esgotada mais do q o normal, depois de comer, nem tomei banho, deitei na beliche e dormir pesado algumas horas. Acordei com o povo chamando pra ir no outro albergue que a galera estava fazendo comida, não fui, a preguiça falou mais alto e eu fiquei quietinha, tomei banho e voltei pra cama, o corpo agradeceu!
No outro dia, os peregrinos do Brasil saíram todos juntos, somos 9 e mais uns agregados que aparecem pelo caminho. Quando nós conseguimos caminhar junto, que é difícil, pois cada um tem o seu jeito e velocidade, alguns param mais outros menos. Quando conseguimos estar todos juntos é muito engraçado, só sai besteira, rimos o tempo todo, o clima de brincadeira é muito legal e saudável pra distrair e tira o foco das dores.
Chegamos em Palas del Rei, que é uma grande rua com bastante comércio. Chegamos, largamos as coisas no albergue e fomos comer pulpo, também conhecido como polvo. Achamos uma pulperia na cidade e fomos conferi.
Não sei se foi a fome, mas o bicho estava bom, delícia! Super recomendo, pagamos 8 euros, bem bem servido e o ambiente bem legal!
Voltamos para o albergue, depois fomos comer macarrão em outro hostel que nossos amigos estavam. Peregrino come gente! Hahahaha
Voltamos antes das 23h, caso contrário íamos f**ar na Rua, o albergue Municipal fecha e estava frio com vento congelante !
Dormimos bem, alimentados e contentes no friozinho da Galícia!

Dia 27 Cebreiro - Triacastela 21kmDia 28 Triacastela-  Sarria 21kmAcordamos um pouco mais tarde para evitar o frio da ma...
29/05/2015

Dia 27 Cebreiro - Triacastela 21km
Dia 28 Triacastela- Sarria 21km
Acordamos um pouco mais tarde para evitar o frio da manhã do topo da montanha e também pq tínhamos só 21km pela frente. Saímos do albergue já pensando na descida do cebreiro.
A descida de uma montanha de 1.330 metros é, digamos, difícil.
Mas depois de tantos dias de caminhada já conhecemos mais nosso corpo, nossa resistência aumentou e sabemos lidar melhor com a dor.
Durante a caminhada nós vimos muitas coisas, e muitas pessoas, cada uma no seu caminho, cada um do seu jeito. Foram tantas pessoas que passaram, tantos rosto, tantas conversas. Mas o caminho e como a vida, algumas pessoas passam e outras f**am. Fiz amigos aqui que eu pretendo levar comigo por bastante tempo, estiveram comigo nos momentos bons e nos brabos também.
Descendo e descendo a montanha, tudo doía, foi complicado, mas já tive dias piores. Chegando na cidade, ja havia metade da turma sentada num bar, a dúvida era, como ainda era cedo, pq não esticar até a outra cidade. Sentei para esperar o restante do grupo e lá de dentro do bar vejo Adriana vindo mancando, ela senta e me diz que não está bem. A parte de cima do pé dela dóia muito era como se não tivesse força para pisar e cada passo a dor era aguda, ela andava com muito dificuldade.
Estávamos todos reunidos e resolvemos f**ar ali mesmo, era muito complicado continuar pois a outra cidade eram mais 11km.
F**amos no hostel da rede xacobeo, 10 euros, boa estrutura e bem legal. A cidade é um ovo, e não tinha nada para fazer, resolvemos cozinhar e fizemos feijão, arroz, carré, ovo e salada matamos a saudade de comida brasileira! Comemos até estourar e fomos descansar.
No dia seguinte, Adriana ainda sentia muita dor, mas peregrino que é peregrino, engole o choro e vaí com dor mesmo.
Sair do albergue com dor é um sensação horrível, mas devagar fomos até a cidade destino. Eu acho que todo peregrino tem um pouco de médico e um pouco de mãe. Pq é impressionante como todo muito quer ajudar numa situação dessas. Sempre tinha um com um creme, um spray, um remédio, parece que fazemos parte de uma grande família e todo se ajudam!
Em Sarria f**amos no Municipal. Muita gente sai dessa cidade para fazer 100km ate Santiago. Aí a ficha cai só faltam 100km, estamos tão perto e já vivemos tanta coisa. F**amos em um bar, comemos alguns tapas, que são comidinhas que acompanham a bebida, e relembramos alguns momentos do caminho. Estamos cada vez mais cansados, eu acho que é um cansaço acumulado de todos esses dias de caminhada. Voltamos para o albergue e Adriana deitou, botou o pé pra cima e repousou, eu fiquei na porta do albergue com peregrinos, mais um dia estavam acabando, Eu olhei minha credencial e só tinha mais uma Folha em branco, então fui na igreja pegar outra para fazer os 100 últimos km. Por mais que fosse legal estar reunido com os outros peregrinos o corpo pedia descanso também, então fui para cama cedo, amanhã é outro dia e temos nossos últimos 100km pela frente.

26° Dia Vila Franca - Cebreiro 30,5 kmDesde que eu decidi fazer o  caminho eu pesquisei, li, fui a palestras e  ouvi mui...
25/05/2015

26° Dia Vila Franca - Cebreiro 30,5 km
Desde que eu decidi fazer o caminho eu pesquisei, li, fui a palestras e ouvi muito sobre Santiago, mas eu descobri que estar aqui é bem diferente. Eu aqui tenho tentado expressar com palavras um pouco do que é viver isso, mas é como explicar o sabor de um delicioso bolo de chocolate, impossível, só comendo vc vai saber, o caminho é assim!
Hoje acordei e a primeira coisa q veio na minha cabeça, CEBREIRO!
O cebreiro e uma montanha enorme, tão alta q geralmente há probabilidade de neve o ano inteiro, e hoje era o dia da montanha! O dia anterior deixou sequelas, e eu já saí do albergue mancando. Tomamos café todo o grupo junto, mas logo eu fiquei para trás. Eu sabia q tinha q chegar no Alto do cebreiro, essa era minha meta e não importava a hora q fosse, mesmo eu indo na minha lentidão de lesma.
Já havia feito uns 6km quando escuto uma conversa em português atrás de mim, e eu quieta ali, concentrada no passinho da tartaruga, mas logo passaram por mim, me desejaram bom caminho e viram a Bandeira do Brasil q eu carrego na mochila. Papo vai papo vem, Lio e Paulo André perceberam que eu estava mancando e "mandaram" eu parar para ver a "situação" do meu pé. Paramos em um bar Lio tirou minha bota, minha meia, e passou um spray, dividiu uma cartela de advil comigo e me deu Gatorade. Agora F**a sentada aí, disse ele, eu claro, obedeci. F**amos uns 30 minutos ali, e seguimos. Eu não sei se foi o psicológico ou os remédios fizeram efeito rápido, mas eu já sai do bar sem mancar, e lá fomos nos 3. Toda vez que eu f**ava para trás eles paravam e me esperavam, "não vamos te deixar para trás Ligia", e assim foi até começar a subida. Lio foi um pouco na frente e Paulo André para trás e eu ali no meio. Lio estava fazendo 40km por dia, então a subida não era exatamente um problema Para ele, Paulo já tinha operado os dois joelhos e sentia dor, muita dor. A subida foi difícil, meu tornozelo voltou a doer, tínhamos mais ou menos 15km só de subida no meio da mata, era subir ou subir. Entre as dores, reclamações e sofrimentos fui conversando com eles, Lio é noivo e decidiu fazer o caminho antes do casamento, queria um tempo para ele, f**amos conversando sobre o caminho e o futuro. Paulo André era mais Velho, fazia pela quarta vez o caminho, é dono de várias escolas em SP e foi me contando um monte de histórias dos seus caminhos anteriores. Nos último 5km Lio foi na frente e eu estava bem para acompanha-lo, mas meu coração ficou apertado de ver Paulo André. Fiquei e esperei ele, é fui devagar puxando assunto, de repente no meio do nada ele fala " não aguento mais andar, vou f**ar aqui!" Eu olhei para ele e me deu um vazio mental, não conseguia pensar em nada para falar, eu fiquei ali olhando o desespero daquele homem, tamanha a dor. F**amos os dois parados no meio de uma ladeira, de um lado uma rocha enorme, do outro um abismo e a floresta na frente. Meio que sem pensar falei a primeira coisa q veio na cabeça, "se você parar eu vou ter q parar com vc, e vamos f**ar aqui os dois no meio do nada e eu não sei fazer fogueira, eu não vou te deixar aqui sozinho!"
Ele me olhou, abaixou a cabeça e começou a andar. Não sei oq ele sentiu naquele momento, raiva ou graça? Mas seguimos os dois em silêncio. Depois de alguns kms vimos um estábulo, ele sentou e disse, ali em cima Tem a última Cidade antes do cebreiro, eu vou f**ar lá, eu não aguento andar um passo. Fui com ele até o hostel, deixei ele sentando e fiz check-in para ele. Tudo pronto fui me despedi, eu estava triste, só faltavam 2Km para o cebreiro, mas Eu sei muito bem o que é sentir dor e temos que saber respeitar o caminho e o nosso corpo também.
Dei um abraço forte naquele homem q eu mal conhecia, mas que me ajudou na hora que eu mais precisei.
Fui andando sozinha, pensando em tudo que aconteceu.
Não sei pq aqueles dois homem me ajudaram. Eles passaram por tanta gente, talvez pessoas bem piores q eu, mas por algum motivo o caminho colocou eles ali, e talvez se Lio e Paulo não tivesse cuidado de mim eu não conseguiria subir a montanha, as vezes Deus coloca anjos em nossas vidas, e do jeito que Ele põe ele leva, agora eu estava ali sozinha, mas estava bem, era por volta das 3:30, eu já estava andando mais de 8 horas. Eu ia devagar, olhei para frente e vejo a placa cabreiro. Sim, eu consegui! Eu estava ali no topo da montanha o vento era forte a vista surpreendente. Eu sentei em um batente e um italiano falou comigo, você ta bem? Eu olhei para ele com um sorriso no rosto e respondi, sim, estou ótima!
Entrei na cidade, e Lio estava no primeiro bar gritando meu nome Ligiaaaaaaaa, eu fui até lá, ele me deu um abraço e um copo de cerveja! Sentamos no bar e eu contei sobre o Paulo, f**amos ali bebendo e falando sobre o dia e sobre a vida. Quando um amigo meu passou e fui ver um canto pra dormir. O albergue Municipal e gigantesco e estava lotado, encontrei com Adriana e o resto da galera e fomos comer algo, depois fui andar pelo cebreiro que é lindo, parece aqueles vilarejos medievais de filme, rua de pedra construções antigas, tudo muito bonito. Fui assistir a missa e na volta encontrei com Lio, me despedi dele, no dia seguinte ele ia fazer 35km, então eu nunca mais ia ve-lo novamente. É estranho tudo isso, você vive uma história com a pessoa e nunca mais vai ver de novo. Deitei na cama e fiquei olhando para janela, lembrando de tudo, feliz por ter conseguindo chegar até ali, agradecida aquelas pessoas que foram tão boas comigo e também com saudade, saudade de tudo que já passou, por tudo que eu senti e vivi. Os dias aqui parecem é uma vida! O cebreiro se foi e deixou muitos ensinamentos e histórias!

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