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Jacob Nunes Góis – Herói, Judeu PortuguêsJayme Fucs BarA rica história de heróis judeus portugueses, cuja contribuição f...
21/11/2025

Jacob Nunes Góis – Herói, Judeu Português
Jayme Fucs Bar
A rica história de heróis judeus portugueses, cuja contribuição foi vital para o florescimento econômico de Portugal e a construção do Brasil colonial, permanece, lamentavelmente, pouco divulgada.
Entre esses notáveis, cuja trajetória merece ser profundamente explorada tanto no Brasil quanto em Portugal, destaca-se Jacob Nunes Góis. Nascido na aldeia de Góis, em Portugal, ele veio de uma família judaica que se estabeleceu no país após deixar Castela, na Península Ibérica, antes mesmo da expulsão de 1492.
Seu pai, Isaac Saleh Ben Eli, ao chegar a terras lusitanas, adotou o sobrenome "Góis" como uma reverente homenagem à província que os acolheu. A pequena aldeia de Góis era, carinhosamente, conhecida como a "Vila dos Judeus".
Desde cedo, Jacob não apenas absorveu os profundos ensinamentos religiosos e culturais de seu povo, mas também demonstrou uma notável vocação para os negócios. Sua jornada o levou a Lisboa, onde se especializou no próspero comércio de açúcar das Ilhas da Madeira.
Sua habilidade em realizar bons negócios rapidamente o elevou a uma posição de proeminência entre os mercadores da capital portuguesa. Jacob possuía uma extraordinária capacidade de identificar grandes oportunidades comerciais, tornando-o um dos mais influentes mercadores de Portugal.
Mais do que isso, Jacob conquistou um papel de relevo na própria corte portuguesa, alcançando o status de "Judeu da Corte", onde exercia uma função importante na administração e nas finanças do reino.
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Em 1496, com a conversão forçada imposta por Dom Manuel I em todo Portugal, Jacob Nunes Góis viu-se obrigado a aceitar o cristianismo para proteger sua família e manter sua posição social. Contudo, prosseguia praticando sua fé, a lei de Moisés, sob o mais estrito sigilo e segredo.
Ele compreendia perfeitamente o imenso perigo que o espreitava. Sua fortuna e influência não o tornavam imune à Inquisição; ao contrário, faziam dele um alvo ainda mais cobiçado.
Consciente dessa realidade implacável, Jacob tomou uma decisão de coragem singular: utilizar sua posição privilegiada não para se ocultar, mas sim para, de forma engenhosa, resgatar inúmeros judeus que desejavam deixar Portugal e encontrar um porto seguro onde pudessem retomar a prática judaica.
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A descoberta do Brasil em 1500 marcou o início de uma nova era de exploração e colonização. Jacob Nunes Góis foi um dos grandes financiadores para o sucesso das expedições portuguesas rumo à Índia e às descobertas do Novo Mundo. Ele também utilizou essas expedições, nas quais investia, para transportar diversas famílias judias, principalmente ao Brasil, que se tornaria uma nova esperança e um refúgio para os judeus perseguidos pela Inquisição Católica.
Jacob usava as expedições comerciais legítimas, sob seu domínio, e aproveitava para integrar os refugiados judeus como novos colonos e mercadores. Essa camuflagem era de suma importância, pois qualquer suspeita poderia levar à prisão imediata, confisco de bens e à condenação por traição à "Santa Inquisição".
Jacob Nunes Góis percebeu rapidamente que o Brasil seria o porto seguro para salvar seu povo das garras da Inquisição, transformando as terras brasileiras em um dos principais destinos para os judeus. Lá, distantes do alcance da Inquisição, muitas famílias puderam, por quase um século, desfrutar de certa liberdade religiosa e voltar a praticar mais abertamente a fé nas leis de Moisés.
Sabemos que, nesse período, muitos no Brasil retornaram abertamente ao judaísmo, fundando suas próprias comunidades e até mesmo sinagogas. Contudo, essa liberdade seria interrompida com a chegada da Inquisição ao Brasil em 1591, liderada pelo visitador Heitor Furtado de Mendonça. Este esteve na Bahia e em Pernambuco, onde registrou inúmeras denúncias de práticas judaicas na colônia portuguesa, levando muitos judeus portugueses e já brasileiros natos de volta a Portugal para serem julgados e condenados à fogueira.
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O legado de Jacob Nunes Góis no Brasil assume uma importância crucial em nossa história, deixando marcas inesquecíveis por suas contribuições para o estabelecimento e desenvolvimento das primeiras estruturas coloniais portuguesas no Brasil. Sua atuação garantiu uma presença marcante de cristãos-novos portugueses, permitindo que muitos judeus se destacassem na vida econômica, social e cultural do Brasil colonial Como: Ana Rodrigues , Branca Dias, Bento Teixeira, Antônio Jose da Silva , Padre Antônio Vieira, Fernão de Noronha , Diogo Fernandes, António Raposo Tavares e muitos outros
A influência judaica seria notável na colonização portuguesa e, mais tarde, teria uma grande influência na cultura brasileira, com forte impacto principalmente nas regiões do Nordeste e de Minas Gerais. Podemos afirmar que a história do Brasil é inseparável da presença judaica portuguesa, pois o Brasil, desde seus primeiros anos de colonização portuguesa, tornar-se-ia o lar de muitos judeus em fuga da Inquisição, um testemunho duradouro dos esforços pioneiros e humanitários de Jacob Nunes Góis.
Em 1540, apesar de toda a sua riqueza e influência, Jacob Nunes Góis compreendeu que nem ele nem sua família estavam mais seguros em Portugal. A Inquisição intensificava sua perseguição, e até mesmo os cristãos-novos mais proeminentes se tornavam alvos. Jacob não teve alternativa senão fugir para a Holanda.
Nos Países Baixos, Jacob, mesmo em seus últimos anos de vida, deu continuidade à sua nobre missão, prosseguindo com o apoio à comunidade judaica e aos refugiados que incessantemente chegavam da Península Ibérica. Utilizou seus consideráveis recursos e vasta experiência para auxiliar os recém-chegados a reconstruir suas vidas com dignidade.
Muitos acreditam que Jacob Nunes Góis faleceu logo após dois anos de ser obrigado a abandonar Portugal. Morreu de saudades da terra amada, morreu de desgosto da intolerância religiosa!
Jacob Nunes Góis faleceu em 1542, na Holanda.
Nosso compromisso é jamais esquecer o legado em vida desse notável judeu português: ele dedicou todos os seus esforços e recursos para salvar milhares de judeus da perseguição religiosa.
Que sua memória seja para sempre abençoada!

Kibbutz Nachshon e as Crises ideológicas – Jayme Fucs BarO Hashomer Hatzair movimento que foi parte importante de minha ...
26/10/2024

Kibbutz Nachshon e as Crises ideológicas – Jayme Fucs Bar

O Hashomer Hatzair movimento que foi parte importante de minha vida, se caracterizava por uma forma de atuação ideológica pragmática, que se fazia notar na pedagogia da tnuá, (Movimento) na forma pela qual o movimento concebia a sociedade ideal. Fazia-se aliá (Imigração para Israel) com a intenção de se realizar no kibutz, enquanto Israel ficava em segundo plano.

A tnuá, através do seu processo educativo, dava-nos a sensação de sermos capazes de mudar a realidade. Os valores eram muito claros, não apenas em termos do socialismo marxista, mas também em relação às posições políticas da direita de Menachem Beguim e das concepções do MAPAI, o partido majoritário de 1948 a 1977, que buscava manter-se sempre "em cima do muro". Aos seguidores do MAPAI chamávamos de "socialistas cor de rosa".

Um bom exemplo foi o que ocorreu alguns anos após a Guerra dos Seis Dias, cuja postura permitiu colonizar os territórios conquistados. Ao lado de Nachshon existia uma aldeia árabe, chamada Emaus, que o governo ordenou destruí-la após a vitória militar de junho de 1967 e na qual nós, do kibutz, decidimos não pisar pelos sentimentos de pesar e vergonha do que lá ocorreu depois da guerra.

No meu período de imigração para o kibutz ficaram claras as razões da quebra ideológica dos membros do garin, ( grupo de brasileiros) ) processo que se intensificou com a ida deles para o exército e a obrigação de proteger colonos nos territórios ocupados.

O auge da quebra ocorreu com a primeira Guerra do Líbano, em 1982, na qual os chaverim do garin (membros do grupo brasileiro) haviam sido convocados a lutar por algo em que não acreditavam, guerra que não condizia com os valores ideológicos nos quais foram educados. Muitos participaram dessa guerra, e quando voltaram, decidiram abandonar o país.

A crise pessoal se expressou também pelo que acontecia dentro do próprio kibutz. A estrutura sociodemográfica das primeiras gerações de chaverim de Nachshon era composta por sabras, ( Judeus nascidos em Israel e não imigrantes) que viam os chalutzim ( pioneiros) de outros países, a exemplo dos brasileiros ou anglo-saxões, como gente inadequada ao trabalho duro, imbuídos de valores "diaspóricos", que a maioria dos sabras repudiava. Essa questão interna, de valores e identidades opostas, criou muitíssimos conflitos e tensões.

No kibutz, nos deparamos com a prática de uma forte cultura stalinista que resultou no estabelecimento de uma casta burocrática, uma espécie de elite "ideológica" que usufruía de regalias que a maioria não possuía. Eram pessoas ligadas ao Kibutz Artzi e ao MAPAM. A prática era como um jogo de cartas marcadas. Por um lado, deixavam-nos discutir nas assembleias gerais do kibutz por horas a fio e, por outro lado, no final das discussões, utilizavam o termo "din hatnuá", o que significava que éramos obrigados a aceitar decisões instituídas pelo movimento kibutziano.

Do contrário, teríamos que nos submeter a pressões sociais que tornariam muito difícil a vida no kibutz.
Nos anos 1980, o kibutz se assemelhava ao modelo tradicional do movimento juvenil em que os veteranos eram como os madrichim, no sentido em que concentravam funções e posições de mando dentro num círculo fechado, com postura arrogante, como se fossem semideuses.

Essa estrutura se rompeu com a crise econômica que assolou o movimento kibutziano no final dos anos 80'. Com todos os pesares, tiveram que abrir espaço para uma nova geração e opunham-se a qualquer mudança da estrutura tradicional do kibutz. Durante anos, os veteranos criaram uma espécie de sindicato com o propósito de evitar qualquer mudança.

Eu fui secretário-geral do meu kibutz em 1992, com apenas dez anos de vida nele. A crise era tão aguda que não havia dinheiro nem para papel higiênico. A crise econômica parecia pôr fim ao kibutz que devia bilhões aos bancos. Uma geração de jovens, nascidos e criados nos kibutzim, tiveram que abandoná-los, e para os veteranos resultou difícil renunciar ao poder absoluto do qual usufruíram durante 42 anos.

Em Nachshon se criou um triunvirato com um mandato de três anos para salvar o kibutz da crise socioeconômica. Eu tinha 34 anos e pertencia a um garin brasileiro; o segundo dessa liderança tinha 30 anos e era alguém que nasceu no kibutz, enquanto a terceira, com 45 anos de idade, pertencia a um garin israelense.

O processo de mudança foi muito doloroso e terminou em 2006. O kibutz ficou dividido por um lado, aos "bolcheviques", pertinentes aos veteranos e, por outro, aos membros de uma nova geração que clamavam por mudanças. Confesso que até hoje há gente que me diz que eu acabei com o kibutz, aos quais respondo com um "graças a Deus", do contrário, esse lugar seria um asilo de velhos e com certeza deixaria de ser kibutz.

Hoje eles culpam a minha geração como aqueles que dissiparam seus sonhos do kibutz cooperativista. A geração de veteranos jamais entenderá que foram eles próprios os verdadeiros responsáveis pela crise e consequências que tivemos que suportar até poder solucionar os problemas para sobreviver como kibutz inovador.

Outra crise ideológica que vivenciamos ocorreu durante o racha no MAPAM, quando o partido político SHELI, de orientação mais à esquerda, ofereceu alternativas à participação do MAPAM na coalisão com os trabalhistas (MAPAI). A maioria dos membros do garin, eu inclusive, nos filiamos ao SHELI, o que gerou uma tensão interna em Nachshon, também porque essa atitude rompeu com o "din hatnuá" (coletivismo ideológico).

Pessoas costumam perguntar por que, ao final das contas, permaneci em Nachshon quando a maioria absoluta do garin voltou ao Brasil?

Confesso que não tenho uma explicação clara, mas penso que tive a coragem de enfrentar os paradigmas existentes no kibutz e também por haver conhecido a minha mulher, nascida em Nachshon, filha de pioneiros do Hashomer Hatzair da África do Sul.
Apesar de eles se estabelecerem no kibutz cinco anos depois da sua fundação, eles jamais foram vistos como veteranos. Eu me identificava muito com eles e com o tempo se tornaram minha nova família. Me senti seguro nas lutas e bandeiras que levantei, sentia que eu não estava sozinho e tampouco era um Dom Quixote.

Sinto que fiz parte da grande revolução que ocorreu em Nachshon, a ponto de dizer, hoje, que nos encontramos numa posição jamais alcançada quando éramos um kibutz "bolshevique" cooperativista. A qualidade de vida em Nachshon é muito boa, a economia do kibutz foi restaurada e, acima de tudo, vivo junto com meus dois filhos e seis netos, e me sinto realizado.

*Texto escrito no Livro " No desvanecer do Fascínio" Memorias de veteranos do Hashomer Hatzair - Organizador por Avraham Milgram (Editora Talu Cultural 2024)

Em homenagem a Henry Sobel  e a Vladimir Herzog - Jayme Fucs BarEu tinha 17 anos de idade quando, em 25 de outubro de 19...
25/10/2024

Em homenagem a Henry Sobel e a Vladimir Herzog - Jayme Fucs Bar

Eu tinha 17 anos de idade quando, em 25 de outubro de 1975, ocorreu o assassinato do jornalista judeu Vladimir Herzog, em São Paulo, nos porões do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, o terrível DOI-Codi da Ditadura Militar, uma máquina de perseguir e matar gente.

E o absurdo foi que Herzog chegou de forma voluntária para prestar esclarecimentos sobre a acusação de ser ativista do Partido Comunista Brasileiro. Herzog foi torturado e assassinado cruelmente pelos carrascos da Ditadura Militar.

Como era comum na época, o corpo desaparecia ou simulavam a
morte por suicídio ou por ataque cardíaco.

Nesse ano, eu já atuava como ativista do Hashomer Hatzair do Rio
de Janeiro. Nós fizemos uma reunião sobre o tema com outros jovens da minha idade na nossa sede, na Tijuca, sobre a decisão comunitária de aceitar ou não a informação oficial de que Vladimir Herzog tinha se suicidado na prisão! Lembro-me do impacto que sentimos, como jovens, de pensar que não existia uma voz na comunidade judaica brasileira que pudesse falar em voz alta a verdade: Vladimir Herzog havia sido assassinado cruelmente!

Não podíamos julgar ninguém, pois esse era um período obscuro
de trevas e de medo, um período que cada brasileiro vivia de forma desesperadora! Todos tínhamos medo de ser mais um Herzog, morto nos porões do DOI-Codi.

Porém dentro desse abismo obscuro de medo e insegurança, como
sempre nos momentos difíceis do judaísmo, aparece uma luz que nos ilumina e nos traz esperanças!

Essa luz foi Henry Sobel, um jovem rabino de 31 anos que se negou
a aceitar a versão oficial dos carrascos da Ditadura Militar de que Vladimir Herzog tinha se suicidado. A farsa era total e absoluta: o DOI-Codi divulgou uma foto de Herzog dependurado pelo pescoço com um cinto, numa altura que obviamente não era suficiente para um suicídio.

Henry Sobel enfrentou a Ditadura sem ter medo das consequências e decidiu ir contra tudo e todos, inclusive as pessoas da própria comunidade judaica, pois todos os outros temiam confrontar as autoridades do Regime Militar. E, ao contrário da versão oficial e das pressões internas, Sobel enterrou Herzog como um judeu assassinado, e não como judeu que se suicidou.

Esse ato foi um desafio claro à versão oficial do Regime Militar
instalado no Brasil. Essa luz incentivou muitos jovens judeus e judias a tomar parte na luta contra a Ditadura e a resgatar o direito à dignidade do povo brasileiro. Henry Sobel, um farol para a restauração da democracia e o fim do Regime Militar.

“Remova os sapatos de seus pés, porque o local onde você pisa
é solo sagrado” (Shemot-Êxodo 3:6). O Rabino Sobel, em sua passagem aqui na Terra, teve a capacidade de tornar sagrado o próprio lugar que ocupou, e será para todos um grande exemplo na luta pelos direitos humanos.

25/10/2024
Renovação e adaptação A criação de Simcha Torá Jayme Fucs BarShemini Atzeret é um feriado descrito na Torá que começa no...
24/10/2024

Renovação e adaptação A criação de Simcha Torá Jayme Fucs Bar

Shemini Atzeret é um feriado descrito na Torá que começa no dia
22 de Tishrei, um dia após o sétimo e último dia de Sucot.
O termo shemini atzeret (assembleia) indica que, no período do
templo, as pessoas se reuniam na sucá no oitavo dia para oração e realização do sacrifício no templo.

Atualmente comemoramos também outro feriado chamado Simcha
Torá, que na verdade é mais uma tradição do que um feriado determinado na Torá. É importante saber que Sheminit Atzeret e Simcha Torá não são o mesmo feriado.

O costume de se comemorar Simcha Torá foi criado pelos judeus
da Babilônia nos séculos VI e VII, quando os nossos sábios sentiram a necessidade de redefinir o fim da leitura da Torá, que aconteceria uma vez por ano, bastante diferente do costume do período bíblico em que se comemorava o fim da leitura da Torá a cada três anos e meio.

A criação desse novo festejo, Simcha Torá, era uma forma prática
e pedagógica de marcar um ciclo de leitura da Torá no mesmo ano do calendário judaico e também o fim de Sucot. Foi uma data escolhida de forma sábia para essa adaptação a fim de fortalecer a identidade judaica.

As mudanças nos costumes e na tradição judaica são constantes, mas é uma pena que as pessoas não tenham consciência disso; muitos acreditam que o judaísmo é algo estático, sem movimento ou que tudo o que fazemos faz parte das leis da Torá. Na verdade, hoje em dia vivemos muito mais o judaísmo do Talmud do que o judaísmo da Torá.

É lamentável que existam certos grupos religiosos que têm uma
grande resistência de dar continuidade ao que os nossos sábios fizeram no passado, pois eles souberam adaptar o judaísmo ao seu tempo, à realidade e às condições do mundo que viviam — graças a eles, o judaísmo continua vivo.

Importante saber que o judaísmo conseguiu uma proeza única na
história: sobreviver durante 2 mil anos na diáspora depois da destruição do Segundo Templo. E isso se deu em razão de dois princípios básicos, a renovação e a adaptação.

Renovação e adaptação sim! Esses são os principais fatores que tornaram a civilização judaica dinâmica, viva e relevante para as futuras gerações.

Se desejarmos preservar o judaísmo, devemos manter, sem temer, o seu dinamismo e a sua forte capacidade de sobrevivência.
Enfim, seja qual for a corrente à qual você pertence ou o tipo de
judaísmo que você prática, ortodoxo, reformista, secular humanista, cabalista, reconstrucionista, conservador etc., todos são manifestações legítimas e desempenham um papel importante para a preservação e a sobrevivência do judaísmo.

Em Memória de Yehuda Bauer (z”l) - Dr. Robert J. Williams, Diretor Executivo da Finci-Viterbi, USC Shoah FoundationYehud...
20/10/2024

Em Memória de Yehuda Bauer (z”l) - Dr. Robert J. Williams, Diretor Executivo da Finci-Viterbi, USC Shoah Foundation

Yehuda Bauer (z”l) era muito mais do que seus muitos títulos merecidos, incluindo (mas não limitado a) Professor Emérito de História e Estudos do Holocausto no Instituto Avraham Harman de Judaísmo Contemporâneo na Universidade Hebraica de Jerusalém, Conselheiro Acadêmico do Yad Vashem e Presidente Honorário da Aliança Internacional de Memória do Holocausto. Ele também era um amigo e mentor.

Nascido em Praga em 1926, Yehuda e sua família deixaram a Tchecoslováquia no mesmo dia em que foi anexada pelos nazistas, 15 de março de 1939. Sua rota os levou para a Polônia e depois para a Romênia antes de finalmente se estabelecerem no Mandato Britânico da Palestina no final daquele ano.

Como estudante do ensino médio em Haifa, Yehuda se apaixonou por história. Ele se juntou ao Palmach e mais tarde ganhou uma bolsa para estudar na Universidade de Cardiff, no País de Gales. Ele retornou a Israel para lutar na Guerra de Israel de 1948-49. Mais tarde, ele se mudou para o Kibutz Shoval e concluiu seus estudos de doutorado na Universidade Hebraica. Yehuda se casou, teve uma família amorosa e levou uma vida profunda e rica, passada com muitos amigos do mundo todo. Todos que o conheciam o tinham no mais alto respeito. Muitos de nós tivemos a sorte de ter sua amizade e passar tempo com ele.

A riqueza da vida pessoal de Yehuda correspondia à sua carreira profissional. Enquanto a dissertação de doutorado de Yehuda se concentrava no Mandato Britanico, ele mudou seu foco para o Holocausto após uma conversa com o conhecido herói partidário, líder sionista e poeta Abba Kovner. Como Yehuda nos contou em seu depoimento de 2015, ele estava com medo de estudar o Holocausto. Kovner disse a ele que era necessário estudar o assunto porque era o evento mais importante da história judaica e que o medo era "um ótimo ponto de partida".

Ao escolher estudar o Holocausto, Yehuda Bauer fez uma contribuição extraordinária para a humanidade. Um verdadeiro poliglota, sua fluência em tcheco, eslovaco, alemão, inglês, hebraico, iídiche, francês e polonês permitiu que ele utilizasse uma variedade de arquivos essenciais para entender essa história e se envolver na discussão acadêmica séria necessária para abrir nossos olhos para os aspectos verdadeiramente internacionais deste assunto. Ao longo de sua carreira, ele publicou mais de quarenta livros, foi o orientador de doutorado de alguns dos principais acadêmicos em nossa área, ajudou a estabelecer vários dos periódicos mais importantes na área e ganhou mais prêmios acadêmicos do que qualquer um pode contar.

Seus prêmios e distinções incluem o Prêmio Israel de "História do Povo Judeu" em 1998, eleição como Membro da Academia Israelense de Ciências e Humanidades em 2001, o prêmio Yakir Yerushalayim (Cidadão Digno de Jerusalém) da cidade de Jerusalém em 2008 e o Prêmio EMET de 2016 em Humanidades. Suas publicações incluem From Diplomacy to Resistance (1970), My Brother’s Keeper (1974), Flight and Rescue (1975), The Holocaust in Historical Perspective (1978), The Jewish Emergence from Powerlessness (1979), ed. The Holocaust as Historical Experience (1981), American Jewry and the Holocaust (1982), Out of the Ashes (1989), Jews for Sale? (1995), Rethinking the Holocaust (2001), The Death of the Shtetl (2010), The Jews: A Contrary People (2014), The World and the Jews (2021), bem como dezenas de outros livros e pelo menos cem artigos de periódicos e outros.

Em 2015, tivemos a sorte de garantir o testemunho de Yehuda como parte de nossa coleção. A entrevista durou cinco horas. Se você tiver tempo, recomendo que assista. Tendo passado grande parte da minha vida profissional conversando com Yehuda, posso garantir que você não só aprenderá muito com ele, mas também crescerá para apreciar mais essa história e seu significado graças a ele.

De muitas maneiras, todo o campo da educação, lembrança e pesquisa do Holocausto é parte do legado de Yehuda. Falando pessoalmente, ele sempre esteve presente em meus estudos. Embora histórias genéricas da Alemanha nazista tenham me atraído para esse assunto, os três volumes de Yehuda sobre as atividades do Comitê de Distribuição Conjunta Americano abriram meus olhos para o verdadeiro estudo da história. Para historiadores da minha geração, muitos dos livros que lemos na pós-graduação foram contribuições de Yehuda. Se não estivéssemos lendo Yehuda, havia uma boa chance de estarmos lendo as obras de historiadores treinados e orientados por Yehuda.

Yehuda também foi notavelmente presciente. Em 1980, ele escreveu: "O antissemitismo é, como sabemos, uma resposta irracional a desafios racionais. Ela surge em períodos de crise, como uma solução de "atalho", evitando assim a necessidade de enfrentar problemas reais com ações realistas. A conjunção de uma série de grandes crises mundiais parece ser um terreno fértil ideal para o renascimento do estereótipo antissemita.”

Na época, Yehuda era uma das poucas vozes no deserto. Sua erudição, insights e sua força de vontade franca e infatigável levaram a algo notável. Ele foi, de muitas maneiras, a força que levou à criação do que hoje é conhecido como International Holocaust Remembrance Alliance. Lá, ele serviu principalmente como o primeiro conselheiro da IHRA antes de se tornar seu presidente honorário vitalício. Líderes mundiais procuraram Yehuda para buscar conselhos sobre como garantir melhor educação sobre o Holocausto, esforços de comemoração que lembrassem o público mais amplo da importância da Shoah e iniciativas de pesquisa que sempre manteriam o assunto vivo. Quantos historiadores tiveram primeiros-ministros, presidentes e até reis os procurando? Eles podem não ter gostado da honestidade de sua orientação, mas ele sempre trabalhou a serviço da verdade e para garantir que o mundo nunca esquecesse o que aconteceu durante os anos terríveis da Shoah.

Como meu amigo e um dos alunos de Yehuda, David Silberklang escreveu uma vez, o intelecto e a percepção de Yehuda eram o resultado de sua visão clara e objetividade. Ele olhou para o Holocausto "no nível dos olhos, sem lentes coloridas, mistificação ou preconceito ideológico tanto quanto possível, levando as testemunhas oculares judaicas dos eventos a sério". Esses são os mesmos valores que defendemos e precisamos deles agora mais do que nunca.

As perguntas que Yehuda fez também precisam de atenção. Ele foi amplamente responsável por iniciar muitas conversas críticas necessárias hoje, incluindo a singularidade do Holocausto, os papéis dos perpetradores, as experiências de sobreviventes e vítimas, as complexidades do resgate e o cinismo com que alguns estados e movimentos usam mal a história do Holocausto.

Quando nos envolvemos com o Holocausto, a influência de Yehuda sempre permanecerá, nos guiando a questionar constantemente. A não tomar nada por garantido. A não sofrer nenhuma distorção da história. A valorizar o arquivo e a nunca ter medo de se envolver em um discurso civil em busca da verdade.

Aos 98 anos de idade, tivemos a sorte de passar muitos anos com Yehuda. Ainda não foi o suficiente. Sentiremos falta de sua orientação, senso de humor e amizade, e a memória de Yehuda Bauer sempre será uma bênção.

—Dr. Robert J. Williams, Diretor Executivo da Finci-Viterbi, USC Shoah Foundation

Original em Ingles - https://sfi.usc.edu/news/2024/10/36861-tribute-professor-yehuda-bauer

Uma bracha para Sucot! Jayme Fucs Bar Bendita seja a Sucá que nos relembra que fomos um povo nômade que viveu em cabanas...
17/10/2024

Uma bracha para Sucot! Jayme Fucs Bar

Bendita seja a Sucá que nos relembra que fomos um povo nômade
que viveu em cabanas frágeis no deserto.

Bendita seja a Sucá que foi erguida ao ar livre para admirar o céu e
as estrelas.

Bendita seja a Sucá que nos adverte sobre a nossa fragilidade humana.

Bendita seja a Sucá que nos recorda que somos parte da mãe natureza.

Bendita seja a Sucá com suas quatro espécies da natureza.

Bendita seja a Terra do Etrog [árvore cítrica] que exalta seu forte
cheiro e gosto.

Bendita seja a Água do lulav [palmeira] que tem gosto doce, mas não
tem cheiro.

Bendito seja o Fogo da Hadas [mirta] com seu cheiro contagiante,
mas sem gosto.

Bendito seja o Ar da Arava [o salgueiro que não tem cheiro e nem
gosto].

Bendito seja em Israel um ano de Paz e Normalidade

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Kibutz Nachshon
Jerusalem
99760

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