14/07/2026
CCM defende maior protagonismo dos operadores privados para impulsionar o sector do turismo
A Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e a Federação Moçambicana de Hotelaria e Turismo (FEMOTUR) realizaram, nesta quarta-feira (08/07), em formato híbrido, uma Mesa Redonda de Auscultação do Sector do Turismo, que reuniu empresários, operadores turísticos e representantes de diversas instituições deste ramo de actividade.
A sessão teve como objectivo identificar os principais constrangimentos que afectam o turismo nacional, com vista à construção de um posicionamento oficial do sector privado que irá orientar o Diálogo Público-Privado e a advocacia junto do Governo, em prol da sua resolução efectiva.
No início dos trabalhos, o Presidente da CCM, Lucas Chachine, propôs a observação de um minuto de silêncio em homenagem ao empresário Vasco Manhiça, antigo Vice-Presidente da CTA e Presidente da FEMOTUR, falecido na semana passada, vítima de um acidente de viação.
Na sua intervenção, Chachine afirmou que, perante os desafios ligados às infra-estruturas, à mobilidade, à carga fiscal, ao acesso ao financiamento e à qualificação da mão-de-obra, os empresários devem assumir um papel protagonista na busca das respectivas soluções.
"O nosso papel não é ficar à espera que os outros ajam. O que se espera de nós é fazer. Este fórum deve servir para recolher preocupações, encontrar soluções e construir uma posição única para a defesa dos interesses dos operadores deste sector", afirmou.
Embora reconheça que Moçambique possui um elevado potencial turístico, comparável ao de vários países da região, Chachine disse que, para transformar esse potencial em resultados concretos para a economia nacional, é necessário que os operadores façam uma auto-avaliação e uma auto-reflexão sobre a qualidade dos serviços prestados.
“Devemos, assim, acompanhar as dinâmicas do mercado e responder às exigências dos clientes que procuram os nossos serviços", referiu.
O Presidente da CCM destacou ainda a importância de investir na formação dos recursos humanos em matérias de gestão empresarial, atendimento ao cliente e desenvolvimento de negócios, considerando que a qualidade do serviço constitui um dos principais factores de competitividade do turismo.
Acrescentou que as instituições públicas ligadas ao turismo desempenham um papel importante na resolução dos desafios do sector, mas sublinhou que o sector privado deve se integrar activamente neste processo.
Chachine propôs igualmente a intensificação e a participação efectiva dos empresários na campanha "Bem Servir", que acompanhada da adopção voluntária de códigos de ética e deontologia profissional vai elevar os padrões de qualidade do sector.
Por sua vez, o Presidente do Pelouro do Turismo da CCM, Rogério Gomes, sublinhou que nesta parceria entre a CCM, a CTA e a FEMOTUR ouviu-se quem investe no sector, de modo a fundamentar a advocacia em torno dos problemas vividos no terreno. "Precisamos falar a uma só voz. Quanto mais unidos estivermos, maior será a nossa capacidade de negociação e melhores serão os resultados para o sector", afirmou.
Durante a sessão, moderada pelo Vice-Presidente do Pelouro do Turismo da CCM, Emerson Guita, os operadores turísticos identificaram diversos constrangimentos que afectam o desenvolvimento da actividade. Entre as soluções apontadas destacam-se a necessidade de tornar mais clara a legislação laboral, reduzir ou isentar determinadas taxas e multas aplicadas pelas entidades fiscalizadoras, combater a concorrência desleal protagonizada pelos operadores informais, controlar a volatilidade dos preços dos combustíveis, reduzir os custos de certificação e reforçar a aposta no marketing digital para promover os destinos turísticos nacionais.
Os participantes defenderam igualmente a reactivação das instituições de formação profissional especializadas, a expansão da rede eléctrica, a facilitação dos processos de emissão de vistos, a simplificação do atendimento nos postos fronteiriços, a reabilitação ou construção de vias de acesso aos principais destinos turísticos e o reforço da formação dos agentes de segurança em matérias relacionadas com o turismo.
Durante o debate foi ainda sugerido o desenvolvimento de novos segmentos de mercado, como o turismo de terceira idade e o turismo de saúde.
No encerramento da mesa redonda, o Vice-Presidente da Federação Moçambicana de Hotelaria e Turismo (FEMOTUR), Yassin Amugy, sugeriu que a CTA e a CCM integrem o grupo de trabalho conjunto com a Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR, FP), autoridade responsável pelo desenvolvimento e investimento turístico no país, com o objectivo de acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas, apoiar o investimento e desburocratizar os processos de licenciamento e concessão.
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