30/08/2026
Em Vinhais, a paisagem e o imaginário popular caminham lado a lado. Entre fragas, vales profundos e caminhos antigos, muitas lendas falam de forças sobrenaturais, diabos e figuras encantadas que se escondem sob uma aparência humana.
Foi neste ambiente que nasceu a lenda do Sant’Iago.
Conta-se que, em tempos remotos, vivia em Edral um abastado fidalgo que mantinha, em segredo, encontros amorosos com uma formosa aldeã no lugar de Ribas, junto às escarpas do rio Rabaçal.
Certo dia, depois de uma jornada de caça acompanhado pelos seus podengos, o fidalgo esperou pela jovem numa fraga. Ao cair da noite, ela surgiu entre a vegetação e ambos desceram por um estreito carreiro em direção a uma clareira.
Quando o fidalgo se ajoelhou para preparar a merenda, descobriu o segredo que ela escondia sob o vestido: as suas pernas eram de cabra.
Assustado, tentou fugir, mas a mulher agarrou-o e procurou arrastá-lo para o precipício. Já sem forças e perante a ameaça de cair nas águas do Rabaçal, o fidalgo invocou Sant’Iago Menor e prometeu erguer naquele lugar uma capela em sua honra.
Nesse instante, uma espada flamejante brilhou no crepúsculo. A bela aldeã revelou a sua verdadeira forma, transformando-se num demónio que se precipitou no rio.
Salvo, o fidalgo cumpriu a promessa e mandou construir a capela de Sant’Iago de Ribas, num lugar ermo e escarpado entre Edral e Espinhoso. A devoção atravessou gerações e o santuário tornou-se destino de romaria, mantendo viva uma das mais marcantes lendas de Vinhais.
Uma história onde se cruzam a beleza e o perigo, a tentação e a fé, profundamente ligada ao misticismo da paisagem da Terra Fria Transmontana.
Fontes: Padre Firmino Martins, “Folklore do Concelho de Vinhais”; Alexandre Parafita, “O Maravilhoso Popular”.
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