07/02/2026
Em 2022 demos início a um dos projectos mais entusiasmantes e transformadores na nossa quinta - a escavação arqueólogica de uma villa romana no contexto do projecto IGAEDIS.
Dessa escavação, emergiram diversos vestígios de carvão, provenientes de fornos, forjas e lareiras dessa villa que, analisados através de uma vertente da arqueologia - a arqueobotânica - deram-nos a possibilidade de fazer uma reconstrução paleoambiental da nossa quinta há 2000 anos atrás.
Esta nova informação mostrou-nos um ambiente florístico muitíssimo mais complexo do que a monocultura simplista que os nossos olivais teimam em perpetuar, o que nos reforçou a urgência de ter que complexificar ainda mais o nosso sistema produtivo.
No ano passado, no âmbito do projecto LILAS4SOILS e em parceria com o Food4Sustainability, surgiu a oportunidade perfeita para avançarmos com a ideia da complexificação do ecossistema do nosso olival. Apesar de o foco do Lilas4Soils ser centrado no estudo de fixação de carbono no solo através de boas práticas agrícolas, uma dessas práticas consistia exactamente em criar vedações vivas, aproveitando áreas limítrofes da quinta, transformando-as assim em zonas de biodiversidade.
E foi assim que, no início deste ano, apesar da chuva inclemente, instalamos 400m lineares de novas plantas. Introduzimos 25 novas espécies no nosso olival, grande parte delas corroboradas pelos dados arqueobotânicos das nossas escavações arqueológicas. As ideias às vezes levam tempo para se materializarem, mas se mantivermos a chama acesa no domínio da vontade, mais tarde ou mais cedo, fazemos acontecer!!!
Mas qual é realmente a importância deste trabalho?
São múltiplas as camadas de importância.
Por princípio, não aplicamos absolutamente nada (tratamentos) no nosso olival, e como tal, necessitamos apostar numa forte dinâmica do ecossistema, auto-reguladora, para combater as pragas no nosso olival. Boa parte dos insectos auxiliares que nos ajudam a combater estas pragas (joaninha, crisopas, alguns tipos de vespas... ), necessitam de néctares, pólens e meladas para poderem subsitir ao longo de todo o ano. Ora, com o reforço de 25 novas espécies dentro do olival, garantimos florações distintas em diferentes épocas do ano, pretendedo dar exactamente esse suporte alimentar aos nossos auxiliares.
Por outro lado, boa parte das plantas que introduzimos vão produzir, frutos, bagas, folhas que irão servir também de reforço alimentar às nossas ovelhinhas e aos pássaros que por aqui vivem que, por sua vez, irão encarregar-se de distribuir sementes por outras zonas da nossa quinta. Ás vezes o que é preciso é começar, dar um 1º impulso. Depois, a natureza faz o resto.
Biodiversidade será sempre sinônimo de resiliência e de regeneração.
Para garantirmos uma maior taxa de sucesso da nossa nova plantação, cobrimos toda a linha com lã das nossas meninas.
É uma técnica que temos vindo a estudar e a testar ao longo dos anos e que vai permitir ao sistema radicular das nossas novas plantas, uma temperatura regulada, uma maior taxa de humidade no solo, uma constante libertação lenta de nutrientes (azoto) e micronutrientes que compõem a lã, potencializando assim um aumento exponencial de toda a actividade microbiológica junto das suas raízes. Um nicho de vida.
Todo este trabalho, só é possível quando trabalhamos em rede, unindo vontades, instituições, explorando nichos e possibilidades em conjunto, tal e qual como a natureza nos ensina a trabalhar - em ecossistema.
O nosso mais sincero agradecimento a todos os que fazem parte desta rede. O nosso trabalho é a melhor forma que temos de homenagear o vosso.