WalkingtourwithVanessa

WalkingtourwithVanessa 🌹Tours feministas que dão voz às mulheres na história. Descobre mulheres, lugares e patrimónios em Portugal. Que inspirem, ensinem e empoderem.

Inspirei-me para criar os walking tours feministas em Portugal, porque percebi que havia uma narrativa esquecida no turismo português — poucos passeios destacam figuras femininas, focando-se apenas nos grandes homens e nos seus feitos. Historicamente, isto não é novidade: o espaço público sempre foi dominado pelos homens. Espero que os meus walking tours feministas façam a diferença. Porque as his

tórias têm o poder de transformar a nossa visão do mundo, de nos conectar com o passado e de nos lembrar que nunca estivemos — nem estamos — sozinhas. O meu desejo é simples, leve e claro: levar a todas as cidades e vilas de Portugal um olhar mais feminista, mostrando que cada rua, cada lugar e cada história tem um rosto feminino que merece ser celebrado. Cada passeio é um convite a olhar, sentir e reconhecer o impacto das mulheres na história, na cultura e no **património cultural feminino** do nosso país.

existem encontros que acontecem duas vezes.o primeiro foi há alguns anos, quando encontrei, quase por acaso, a poesia de...
16/07/2026

existem encontros que acontecem duas vezes.

o primeiro foi há alguns anos, quando encontrei, quase por acaso, a poesia de Dulce de Montalvo.

uma poetisa de barcelos.

da minha cidade. 🐓

o seu verdadeiro nome era Maria do Carmo de Lima Bandeira Ferreira. nasceu em 1914, no mesmo ano da minha bisavó materna, também ela Maria.

escreveu sobre a mulher, sobre o amor, sobre a vida e colaborou em jornais como o barcelense, o jornal de braga e a revista portugal feminino.

morreu com apenas 23 anos.

vibrações da vida, o seu único livro, foi publicado depois da sua morte.

hoje, a Dulce é quase uma ausência na memória coletiva da sua própria terra.

mas, desde o dia em que a descobri, nunca mais me saiu do pensamento.

há poemas que regresso vezes sem conta: o minho, porque gosto de ti, cabelos brancos ou poetisa. há uma delicadeza e uma inquietação na sua escrita que sempre me tocaram profundamente.

através das palavras, sinto semelhanças!

na feira do livro de barcelos aconteceu o segundo encontro.

o livro estava escondido numa estante.

peguei nele sem hesitar.

o senhor do stand olhou para mim, surpreendido, e perguntou:

— conhece a Dulce de Montalvo?

respondi apenas:

— conheço. gosto muito dela.

sorriu, admirado. como se fosse raro alguém da terra conhecer uma das suas próprias poetisas.

e talvez seja mesmo.

foi nesse instante que percebi, mais uma vez, porque faço o que faço.

não para descobrir mulheres extraordinárias.

elas sempre existiram.

faço-o para que deixem de ser desconhecidas na cidade onde viveram.

agora, a Dulce continua a caminhar comigo no walking tour poético de barcelos.

mas desta vez, fá-lo também através das suas próprias palavras.

e mal posso esperar por levar esta relíquia comigo e permitir que tu também sintas, vejas, toques na sua obra e, assim como eu, vibres com a mulher, com a sua história e com o seu património. 🦋

os lugares não nos prendem. somos nós que, por vezes, insistimos em ficar presas às versões antigas de nós próprias! esc...
24/06/2026

os lugares não nos prendem. somos nós que, por vezes, insistimos em ficar presas às versões antigas de nós próprias!

escrevi sobre isso no meu Substack. link na bio! 🦋

eis o pensamento dos últimos dias: andamos tão ocupadas a construir uma vida que nos esquecemos, por vezes, de a habitar...
18/06/2026

eis o pensamento dos últimos dias: andamos tão ocupadas a construir uma vida que nos esquecemos, por vezes, de a habitar.

com carinho
Vanessa 🦋

por hábito, no final de um walking tour feminista, gosto de me sentar por alguns minutos e interiorizar tudo o que acont...
07/06/2026

por hábito, no final de um walking tour feminista, gosto de me sentar por alguns minutos e interiorizar tudo o que aconteceu. é também um momento de gratidão: pela vida, pelas oportunidades e pelo privilégio de fazer aquilo que amo.

quem faz um tour comigo sabe que encontrará muito mais do que datas e factos. haverá energia, informação, educação e inspiração. haverá histórias contadas, trechos de livros partilhados e poemas lidos em voz alta.

sabe também que existe espaço para a conversa, para a troca de ideias e para a reflexão. e isso exige energia. muita. ☀️

é um dos motivos pelos quais trabalho sobretudo em formato privado. é importante para mim saber que a pessoa que caminha ao meu lado está ali por inteiro, e poder oferecer-lhe, da mesma forma, a minha atenção por inteiro durante todo o percurso.

dou tudo de mim para que as histórias das mulheres sejam ouvidas, sentidas e interiorizadas. convido quem caminha comigo a olhar para o feminino da cidade através de perguntas, reflexões e novas perspetivas.

é um trabalho que exige muito de mim. não apenas fisicamente, mas sobretudo a nível mental, emocional e intelectual.

mas sabes?

sou profundamente apaixonada pelo que faço, pelo que estou a construir e pela transformação que já observo em tantas pessoas depois destas caminhadas.

entretanto, durante o tour de hoje, surgiu um pensamento quase filosófico:

quanto mais acreditamos que sabemos tudo, mais percebemos o quanto ainda temos para descobrir.

talvez a verdadeira sabedoria comece precisamente aí: no reconhecimento da nossa própria ignorância.

com carinho,
Vanessa 🦋

o essencial para um walking tour feminista na Lisbonita é simples: óculos de sol, um chapéu catita com o símbolo da marc...
28/05/2026

o essencial para um walking tour feminista na Lisbonita é simples: óculos de sol, um chapéu catita com o símbolo da marca (aka borboleta), a identificação, energia e muita boa disposição, mesmo com 32 graus 🥹

e claro… o mais importante: pessoas curiosas, abertas e cheias de vontade de ouvir histórias que a cidade nem sempre contou.

com carinho,
Vanessa 🦋

pode não ser perceptível ao primeiro olhar.pode até passar despercebido.mas quando a alma aprende a ver o feminino dos l...
22/05/2026

pode não ser perceptível ao primeiro olhar.

pode até passar despercebido.

mas quando a alma aprende a ver o feminino dos lugares, o olhar transforma-se. deixa de procurar demasiado.

olha. vê. reconhece.
~
depois de 18 anos enclausurada com a mãe num convento em Tordesilhas, D. Catarina vê-se finalmente livre ao casar com D. João III, tornando-se Rainha Consorte de Portugal.

foi uma mulher culta, inteligente e respeitada pelo marido, ao ponto de ter assento no Conselho Régio.

em 1540, ao lado de D. João III, deu ordem para a construção da Igreja e Convento de São Gonçalo. na varanda dos reis, na fachada sul da igreja, encontram-se representadas figuras ligadas ao patrocínio da obra: D. João III, D.Sebastião, Cardel D.Henrique e D.Filipe I.

durante muito tempo, uma das figuras foi identificada como o Cardeal D. Henrique. contudo, após as obras mais recentes, a sinalização passou a referir D. Catarina; talvez pelas vestes e traços da escultura se aproximarem mais de uma representação feminina.

e talvez nunca saibamos, com absoluta certeza, quem está ali representado.

mas a minha reflexão vai além disso.

porque, mesmo que aquela figura não seja D. Catarina… a sua memória não pode continuar ausente.

a construção daquele lugar não nasceu apenas da vontade de um rei. nasceu também dela. de uma mulher. de uma rainha. de uma arquiduquesa.

D. Catarina destacou-se ainda como diplomata, regente do reino, mecenas, colecionadora e tutora de D. Sebastião.

e talvez seja isto que mais me fascina quando olho para o património: quando começamos verdadeiramente a questionar os lugares, as mulheres vêm ao nosso encontro.

na pedra. na arte. nas ausências. nos detalhes.

e, de repente, aquilo que parecia invisível… torna-se impossível de ignorar.

é mágico.
é conhecimento.
é memória.

com carinho,
Vanessa 🦋

de todos os museus, o meu favorito é aquele onde aprendemos a ver as mulheres na História, nos lugares e no património. ...
18/05/2026

de todos os museus, o meu favorito é aquele onde aprendemos a ver as mulheres na História, nos lugares e no património. 🌹

feliz dia internacional dos museus!

quando caminho pela cidade, faço sempre um exercício de reflexão: quantas mulheres passaram pelas ruas sem nunca terem s...
12/05/2026

quando caminho pela cidade, faço sempre um exercício de reflexão: quantas mulheres passaram pelas ruas sem nunca terem sido verdadeiramente vistas?!

talvez seja isso que mais toca no teatro.
as mulheres estava lá. nos bastidores, na criação, na resistência. mas tantas vezes ficaram de parte.

preparar o walking tour Lisboa em cena - mulheres e o teatro, foi uma ode à arte e à mulher. e mais uma vez provou-me que a cidade é feita de silêncios.

porém, silêncio não significa ausência!

e de repente a cidade deixa de ser apenas cidade. tudo ganha presença. memória. humanidade.

o meu trabalho é precisamente isso. devolver às mulheres espaço, dar-lhe contexto. honrar a sua memória. ser a voz que elas não foram e nem tiveram. questionar o que ninguém questiona é incentivar a olhar além.

walking tours que dão voz à mulher não são apenas sobre lugares… são sobre pertença.

como se, ao contar histórias, estivéssemos também as recuperar partes de nós mesmas.

e honestamente?
há uma beleza e um poder incrível nisso.

com carinho,
Vanessa 🦋

Há uma parte da história do teatro em Lisboa que continua a ser pouco contada: a das mulheres.Durante séculos estiveram ...
06/05/2026

Há uma parte da história do teatro em Lisboa que continua a ser pouco contada: a das mulheres.

Durante séculos estiveram presentes, mas nem sempre visíveis, reconhecidas ou lembradas. E isso muda a forma como olhamos para a própria cultura da cidade.

Escrevi um novo artigo no blog onde exploro precisamente esta ausência e como ela se cruza com o turismo cultural em Lisboa e com um walking tour feminista que criei sobre o tema.

Se te interessa olhar para Lisboa para além das narrativas habituais, deixo-te a leitura:

Quando pensamos no teatro em Lisboa, a primeira coisa que, muito provavelmente, preenche a nossa mente são as luzes, os palcos, os dramaturgos consagrados, as grandes peças e narrativas. Mas, raramente, nos perguntamos: onde estavam as mulheres nesta história? E, mais importante ainda, por que nu...

desde a sua origem, o teatro foi criado e dominado por nomes maioritariamente masculinos. ainda assim, mesmo secundariza...
29/04/2026

desde a sua origem, o teatro foi criado e dominado por nomes maioritariamente masculinos. ainda assim, mesmo secundarizadas, as mulheres tiveram um papel essencial na sua construção.

vejo o teatro como um espaço de questionamento. na verdade, nunca foi apenas entretenimento.
foi dos primeiros lugares onde a sociedade se viu ao espelho.

e se o teatro é um espelho da sociedade…
o que acontece quando metade dessa sociedade não escreve o guião?

talvez o mais revolucionário no teatro não esteja apenas no que vemos em palco,
mas naquilo que começamos a questionar quando saímos dele.

esta foi uma das muitas reflexões do walking tour
Lisboa em Cena — Mulheres e o Teatro

porque os lugares, a história e o património também se escrevem no feminino. ❤️‍🔥

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Lisbon

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