29/05/2022
O Nome Linda-a-Velha
A primeira referência à actual localidade de Linda-a-Velha, surge durante o reinado de D. Afonso III, no século XIII, relativamente ao local onde existia uma herdade, “Herdade de Ninha de Ribamar”, actualmente denominada hoje Quinta dos Aciprestes.
“Ninha de Ribamar” (século XIII), mais tarde denominada por “Ninha Velha” (século XVI), “Linha Velha” ou “Linda Velha” são designações que, na opinião de alguns autores, parecem estar na origem do topónimo Linda-a-Velha.
Este nome surge pela primeira vez em documentos do século XIX, encontrando-se relacionado com o facto de este lugar corresponder a um ponto elevado.
Apesar de não haver consenso acerca da origem do topónimo Linda-a-Velha, o povo fala de uma lenda ligada ao Palácio dos Aciprestes da qual terá derivado o nome da vila:
“Numa casa acastelada, situada nos arredores de Lisboa onde nascia uma pequena povoação ainda sem nome, vivia uma recatada e esbelta jovem que cavaleiros e jograis cortejavam. A todos, com discreta delicadeza, rejeitava. Até que - há sempre um dia - apareceu um moço fidalgo, amável e bem parecido. Olharam-se e, logo, se amaram. Falaram os olhos e entenderam-se - a expressiva linguagem dos olhos! Só, depois de, à noite, o jovem lhe ter cantado madrigais, chegaram à fala. Confessaram, mutuamente, o súbito amor que brotara em ambos.
Aconteceu que o enlevo foi fugaz. É que, entretanto, a rogo do papa, o rei tinha anuído a participar numa cruzada, à Terra Santa, para libertar a Palestina das garras dos infiéis. Os fidalgos foram convocados e o jovem amador lá partiu, com o coração destroçado, mas animado pelas juras de inquebrantável amor. Da varanda da torre de sua casa, a jovem, entre lágrimas de saudade, viu a armada descer o Tejo e, de seguida, foi à capela rezar pelo êxito do seu bem amado. Mas a nau em que este seguia foi surpreendida por uma tempestade à entrada do estreito de Gibraltar (então chamado Colunas de Hércules). Naufragou e a tripulação pereceu. Ninguém teve coragem, quando chegou a notícia, de lhe contar o nefasto acontecimento. Mas ela, com o passar do tempo, adivinhou, o amor, porém, não morreu e alimentou a sua alma, com tanto vigor que até conservava a sua juventude facial, inexplicavelmente. O corpo perdia o viço, os cabelos embranqueciam, mas o rosto permanecia sem sinais de velhice. O seu aspecto era o de uma linda velha.
Depois da partida do seu amado, a jovem castelã adquirira o hábito de se demorar, à tarde, na varanda da torre, contemplando o Tejo, na nostálgica expectativa de ver regressar o querido fidalgo. Com o avançar dos anos, já não era a esperança que a movia – era o hábito e a saudade. E as pessoas que passavam olhavam-na e comentavam, com admiração: como é linda a velha! E assim aquele casarão onde residia passou a ser conhecido pelo paço da linda velha, que veio a dar o nome à povoação.”