18/04/2022
Segunda-feira de Pascoela - O dia da festa e romaria à Senhora dos Prazeres
Entre 1569 e inícios do século XX a ermida de Nossa Senhora dos Prazeres, e depois o Cemitério dos Prazeres, foram palco de uma grande romaria e festa em honra de Nossa Senhora dos Prazeres, realizada na Segunda-feira de Pascoela.
O culto à Senhora dos Prazeres tem origem no milagre da aparição de uma imagem da Senhora junto a uma fonte (que ficou conhecida por Fonte Santa) que pertencia à quinta dos Condes da Ilha do Príncipe. Para culto da imagem foi construída uma Ermida na qual se prestava culto a esta santa.
O ano de 1569 marca o início de uma grande procissão que, todas as segundas-feiras a seguir à Páscoa, sairia da Igreja Paroquial de Santos indo terminar na referida Ermida. Com o tempo associaram-se a esta romaria uma feira, bailes e arraiais, passando as festividades populares a suplantar as religiosas.
As Sestas («buscar as Sestas» significava que entre a Pascoela e inícios do mês de Setembro os trabalhadores tinham direito a ter duas horas de descanso à hora do almoço) eram uma parte indissociável das festas em honra da Senhora dos Prazeres.
Com a instalação do Cemitério dos Prazeres estas festas começaram a realizar-se na Parada dos Prazeres (actual Largo São João Bosco), mas era frequente que «o folguedo do arraial começasse a exceder os limites da decência» (Matos Sequeira, Depois do Terramoto (...), vol. IV), indo o povo festejar junto às campas, utilizando o espaço para merendar, bailar, cantar e até dormir.
Em resultado dos exageros cometidos dentro do Cemitério, a feira dos Prazeres foi transferida em 1851 e as festividades proibidas em 1893. No entanto, pelo menos até 1902 continuaram a realizar-se defronte do Cemitério, como o ilustram as curiosas imagens retiradas de uma reportagem da revista Serões. Nelas se retratam as «Sestas», as merendas e o grande grupo de pessoas que acorria à Parada do Cemitério para celebrar a Senhora dos Prazeres.
(📷 Serões - revista semanal ilustrada, Abril 1902)