17/02/2012
JOAO E CILA.. ERA UMA VEZ..
A história de João e Lucilia (chamados de João Dois em virtude de existir outro João, e de Cila, diminuitivo de Lucilia), começa nos princípios da década de 50.
Oriundos do mundo rural, da aldeia de Lavradas, ele com 23 anos, o mais jovem de todos os colonos, e ela com 18 anos, e já com uma filha nos braços, situação que tinha sido mal aceite e rejeitada pela família dela (+ abastada), leva-o a lutar pela vida e pela procura de independência e, imbuído de um estado de espírito e luta inabaláveis, candidata-se ao único casal agrícola ainda disponível, e que ninguém quis, precisamente o Casal nº 2, tornando-se o último colono a ingressar a aldeia onde, por estranho que possa parecer, a generalidade dos demais eram oriundos de Entre Douro e Minho, e sem qualquer experiência agro-pecuária. De notar que os residentes das aldeias vizinhas se alhearam de concorrer a estes Casais, muito provavelmente, por cepticismo e por não acreditarem em tão estranho e incomum projecto.
Com experiência rural abundante, adquirida na infancia e juventude, onde nem o ensino escolar mínimo lhe foi proporcionado, não teve qualquer dificuldade na integração, destacando-se sempre de entre os demais em visão, planeamento, aproveitamento e produtividade, sem descurar, a sua postura crítica em relação às teorias e orientações emandadas do pessoal técnico afecto ao Centro de Assistência Técnica, que supervisionava todas as actividades. Paralelamente, por razões de afectividade, não descurou a sua aldeia natal, onde para além da preservação do património rural, envolveu-se na construção de uma casa, numa perspectiva de ali regressar, mas o infortúnio bateu-lhe à porta e, num Domingo de verão, sem que nada o pudesse supor, um enorme clarão visível em Criande, estava a destruir com todas as chamas, pedra sobre pedra, a linda casa nova que tinha acabado de construir.
As marcas deste grande infortúnio, associadas ao natural desenvolvimento dos 3 filhos que enriqueceram o seu lar, e a quem dedicou todo o carinho e atenção, e não poupou esforços para que fossem longe nos estudos, concorreram para que, definitivamente, fixasse cabeça e pés na aldeia de criande, então já bastante mecanizada, produtiva, e marcadamente desenvolvida em relação às demais aldeias do concelho.
Também não deixou de constituir marca distinta nesta opção o enquadramento estratégico e harmonioso do lugar, enfeitado com a paradisíaca Barragem e orla envolvente, e a natura e inevitável atracção turística fomentada por actividades de luxo (caça, pesca, gastronomia, praia fluvial, motonáutica, ambiente,etc).
E foi abraçando este projecto que João e Cila, falecidos com 76 e 69 anos, viveram o resto das suas vidas na aldeia de Criande.
E são agora seus filhos que visam homenagea-los, abraçando este projecto de turismo rural, trazendo dinamismo à sua casa e perpetuando uma história de amor.