12/03/2014
Passado um ano...
Queria vos ter escrito a tempo e horas, mas por motivos profissionais, não o consegui.
No dia um deste mês fez um ano que tudo começou. Sim, estou a falar daquela viagem que vos levou a conhecer-nos, daquele dia em que acordámos para uma nova vida, daquele momento em que descobrimos que a rotina tinha abalado durante a noite e que nada seria igual.
Passámos o dia a trabalhar, contudo ambos nos lembrámos do significado daquela data. No autocarro, conversámos e rimos recordando velhos tempos que não vão voltar e que já deixam saudade. Sim, saudade... Agora que voltámos à normalidade, sentimos falta do estranho, do oculto, do desconhecido, da descoberta e da novidade. Sinceramente, custa acreditar que já passou um ano desde que nós e a Abília saímos da nossa zona de conforto. Talvez não tenhamos dado pelo tempo passar por termos mudado de vida, por termos decidido emigrar para a Noruega, um país e uma sociedade que em nada tem a ver com Portugal e portugueses, temos passado por uma constante aprendizagem e adaptação que não nos deu muito tempo para pousar e refletir. Grão a grão vamos enchendo o papo, ambos estamos a trabalhar, já alugámos a nossa casa, começamos a criar novas amizades e, muito lentamente, a rotina vai se estabelecendo.
Algo curioso, durante os primeiros tempos por aqui, principalmente enquanto tivemos em casa de familiares, tínhamos a sensação que ainda estávamos na viagem 8 Mil para Norte. Para nós, a nossa casa e o nosso quotidiano ainda estavam no Montijo. Para poupar dinheiro, íamos para o centro da cidade na nossa Abília, procurávamos trabalho juntos, continuámos a fazer tudo juntos, partilhávamos todos os momentos do dia como na viagem, obviamente que agora cada um sai de casa e segue o seu caminho mas, pensando bem, em casa não estamos muito tempo separados, podemos estar a fazer coisas diferentes mas acho que nos sentimos mais confortáveis se estivermos no mesmo espaço, uns acham bem outros acham mal, nós por agora estamos bem assim!
Bem, devem pensar que estamos super atléticos, que vivemos para o desporto e que cada um tem a sua bicicleta ali mesmo à porta. Nem por isso... Eu, continuo a não saber andar de bicicleta, vivemos a meio de uma subida para a montanha o que me causa pânico imaginar-me a descer numa bicicleta até à cidade e como devem calcular, não tem feito muito bom tempo por aqui para ciclismo (apesar que para os noruegueses não existem estações do ano para fazer desporto!). O Tiago sim, tem a sua bicicleta e assim se desloca de um lado para o outro, mas esse hábito já é mais antigo que a viagem. O que queremos mesmo fazer é ir acampar uma ou duas noites para uma zona carregada de auroras boreais e depois partilhamos convosco! :)
Claramente, mudámos muito e aprendemos mais ainda com a viagem, não somos mais a Telma e o Tiago que éramos em Fevereiro de 2013, não estou a dizer que somos melhores pessoas agora. Mas é impossível agir e pensar da mesma forma depois de passar por catorze países diferentes, conhecer centenas de pessoas ricas de experiências e memórias para nos enriquecer a nós também, ultrapassar dezenas de obstáculos e ter alcançado aquela esfera a apontar para o sol no Nordkapp que ainda hoje não conseguimos explicar bem o significado e importância que teve para nós. Temos conhecimento de viagens muito mais radicais e longas do que a nossa de seis meses, talvez seja difícil para quem está de fora entender o porquê de levarmos isto tão a sério mas nós e talvez vocês que nos acompanharam desse lado sabemos que nunca, mas NUNCA, vamos apagar esta etapa da nossa vida e que daqui a um, dois, dez e vinte anos vamos nos lembrar do dia 1 de Março de 2013 como o dia em que tudo mudou para mim, para o Tiago e para nós enquanto casal. Talvez quando seja altura de contar aos filhos, aos netos ou aos sobrinhos a história seja diferente, ou muito exagerada ou muito vaga, mas sei que, lá bem no fundo, todas as memórias fantásticas estarão muito bem guardadas.
Resta-me perguntar a vocês, ainda se lembram do dia 1 de Março de 2013?
Até já,
T&T