29/05/2026
Eduardo Miranda, presidente da ALEP - Associação do Alojamento Local em Portugal, em entrevista ao Vida Económica comenta que o Alojamento Local é hoje um dos pilares do turismo nacional, responsável por 42% das dormidas turísticas em Portugal e por receitas equivalentes a 4,6% do PIB. Um estudo da Nova SBE confirma que as 44 milhões de dormidas anuais em AL geram 6,1% do emprego nacional, com uma média de 3,8 empregos criados por cada unidade.
O presidente da ALEP desmonta também a ideia de que o sector é dominado por grandes investidores. Os dados do RNAL de abril de 2026 mostram que 80% dos titulares têm apenas uma unidade e 95% têm até três. Em Lisboa, frequentemente apontada como o exemplo extremo da "profissionalização" do sector, quase 70% dos titulares têm uma única unidade.
"O AL português é, na sua esmagadora maioria, uma atividade familiar e de pequena dimensão", afirma, lembrando que a narrativa contrária foi construída ideologicamente, sobretudo na época do Mais Habitação, para desviar atenções dos verdadeiros problemas estruturais da habitação.
Quanto ao perfil dos operadores, Eduardo Miranda destaca que mais de 90% são licenciados, com uma presença significativa de mulheres (50%) que entraram no sector durante a crise, muitas sem experiência prévia no turismo. Para a ALEP, a prioridade passa agora por apoiar estes operadores na gestão, na qualidade do atendimento e na promoção online e com destaque para as oportunidades que a inteligência artificial abre na otimização e automatização destas pequenas estruturas. " São estas vertentes que vamos passar a trabalhar, com especial destaque para o nosso Congresso Nacional, que se realiza a cada dois anos e que este ano acontece a 12 e 13 de novembro em Lisboa, no Centro de Congressos da FIL." - acrescenta.
No plano regulatório, considera que Portugal é hoje uma referência europeia na regulamentação do AL. A limpeza de registos inativos é apontada como um sinal de maturidade do setor: em Lisboa, o número de registos caiu cerca de 40%; a nível nacional, estima-se uma redução de 30%. Para o Presidente da ALEP, o principal desafio continua a ser garantir estabilidade regulatória, só com regras claras, adaptadas à realidade de cada território, será possível assegurar um crescimento sustentável e competitivo do sector.
Leia a entrevista na íntegra em https://www.grupovidaeconomica.pt/pt-pt/vida-economica-1