11/06/2026
Não conseguem dormir. Deixam de comer. Explodem à mínima contrariedade. Agitam-se e têm episódios de pânico. E choram por tudo e por nada. Nalgumas escolas, têm exames todos os dias. Seis horas seguidas, se for necessário. Nas outras, há uma pressão absurda porque os exames são uma prova de vida e a palavra de ordem é: “estuda mais!” (não tanto “aprende melhor”). Não estamos a ensiná-los a aprender mas a ter resultados. E fazemos deles forças produtivas mais do que mentes criativas. Como se não precisassem de conciliar aprendizagens com escola de vida.
Quanto mais cansados e mais assustados melhores resultados: é essa a fórmula do sucesso?…
Para suportarem a turbulência dos exames, muitos andam medicados. Outros, têm pessoas da família a exigir-lhes sempre mais e mais trabalho. As escolas insistem nas notas para que com elas se catapultem nos rankings. E, por aflição, há pais a sugerir “comprimidos milagrosos”, para que aumentem a concentração e elevem os resultados. Estamos a chegar aos exames do ensino secundário e a insensatez parece não ter limites.
É claro que os adolescentes ganham quando são avaliados. E não perdem se passarem por situações de exame. Mas, muitos, entram em pré-reforma mal sentem que as notas põem em risco os cursos e as escolas que tinham namorado. Outros, hipotecam a adolescência e colocam os resultados à frente de tudo, como se a vida pudesse esperar. Para alguns, os sonhos de pouco lhes servem ao pé dos objectivos que pesam sobre os ombros. Para outros, não f**a claro se os seus estudos futuros serão uma escolha sua ou dos pais. Seja como for, a empregabilidade e o dinheiro parecem prevalecer sobre os quase todos os gostos.
Depois dos exames, será que eles saem da escola a formular mais dúvidas e a colocar mais perguntas? E mais expeditos, mais autónomos e pró-activos? E a saber conviver com erros e pequenas frustrações? E a ser menos individualistas e mais atentos? Será que a vida acaba aos 18 com a entrada na universidade?… Afinal, o que é que queremos deles: que aprendam de forma consistente e que discorram e criem e construam, ou estaremos a vê-los como uma força de elite, sem tempo para aprender, para pensar e para viver?