14/10/2025
Aventureiros enfrentam o interior inóspito de Angola até ao "Bico do País"
Enquanto o turismo cresce na Namíbia e na Zâmbia, Angola permanece fora dos principais roteiros internacionais. A falta de acessos e de infraestruturas continua a ser um obstáculo, mas o potencial natural do país atrai cada vez mais aventureiros em busca de experiências únicas fora do comum.
Durante 20 dias, uma caravana composta por sete veículos todo-o-terreno percorreu cerca de 3.500 quilómetros entre Luanda e o "Bico de Angola" — ponto extremo sudeste do país, onde Angola faz fronteira com a Namíbia e a Zâmbia. A expedição foi organizada pelo Clube Overland Angola (COA) com apoio logístico da empresa Prolog, atravessando sete províncias e enfrentando terrenos difíceis, maioritariamente em terra batida e areia fina.
"Este é o ponto mais natural de Angola, onde se encontra mais vida selvagem. É uma zona paradisíaca", afirmou Ricardo Matos, fundador do COA. Segundo o organizador, a expedição encontrou manadas de elefantes, búfalos, pacaças e outros animais selvagens, contrariando a ideia de que Angola não abriga biodiversidade significativa.
Apesar da recompensa visual e natural, o percurso exigiu resistência. "Foram mais de 1.200 quilómetros em pistas de areia. Só conseguimos completar a viagem com o apoio das administrações locais, especialmente por causa da escassez de combustível", explicou Matos.
A aventura destaca o potencial inexplorado de Angola como destino de ecoturismo e turismo de aventura, embora os desafios logísticos ainda representem uma barreira significativa ao desenvolvimento do setor.