02/09/2026
Uma criança tentando sair da água. Pessoas ao redor. Alguém registrando.
E uma pergunta que talvez tenha passado pela sua cabeça também:
“Por que ninguém está ajudando?”
Mas existe algo importante aqui: esse vídeo é um recorte.
Não sabemos exatamente o que aconteceu antes ou depois dessas imagens. Não sabemos por que essa criança estava ali, se havia outras pessoas ajudando ou qual era todo o contexto. Se alguém conhecer a história completa desse registro no Nepal, compartilha aqui.
Por isso, mais do que julgar aquelas pessoas, essa cena me fez pensar sobre nós.
Sobre presença. Atenção. Compaixão.
Compaixão não é apenas reconhecer o sofrimento do outro. É permitir que esse sofrimento nos toque e desperte em nós o desejo de fazer algo para aliviá-lo.
Talvez seja justamente por isso que uma cena assim provoque tanto incômodo.
Porque, quando vemos alguém sofrendo, esperamos que o primeiro movimento humano seja ajudar.
Mas existe outra reflexão importante aqui.
Quantas vezes uma tela tem se colocado entre nós e aquilo que está acontecendo diante dos nossos olhos?
Registramos a viagem, o show, o pôr do sol, o encontro, a comida, a experiência…
E às vezes estamos tão preocupados em guardar aquele momento que deixamos de realmente estar nele.
Estou lendo Foco Roubado: Os ladrões de atenção da vida moderna, de Johann Hari, e o livro traz uma discussão muito necessária sobre como nossa atenção vem sendo capturada e fragmentada.
E talvez atenção seja uma das coisas mais preciosas que podemos oferecer ao mundo.
Porque aquilo que recebe a nossa atenção também recebe a nossa presença.
Esse perfil é sobre viagens, lugares e experiências.
Mas viajar também é encontrar pessoas.
E talvez nenhuma paisagem seja mais importante do que aquilo que ainda conseguimos reconhecer no outro.
Que a tecnologia registre a nossa humanidade, mas nunca ocupe o lugar dela.
📚 Indicação: Foco Roubado, Johann Hari.